Bob Wollheim: “O melhor do Brasil somos nós, o pior também”

Precisamos dar um basta para cada um de nós! Pros nossos jeitinhos e nossos pequenos pecados

Tenho escrito muito aqui nesta coluna sobre o que estamos vivendo em nosso país. É um momento de reinvenção, de redescoberta e, consequentemente, de dor e sofrimento. Estamos desvendando a grande contravenção que virou nosso país, mas nos descobrindo pequenos contraventores, ao mesmo tempo.

Reclamamos nas redes sociais de tudo o que está acontecendo, mas seguimos nos pequenos delitos, na fila dupla, no furar fila, nas pequenas sonegações e contravenções que julgamos menores, perdoáveis. Portanto, ainda seguimos nos autoperdoando, mas com certa dose (coisa nova no país) de angústia.

Passei uma semana nos EUA, em Los Angeles, e é impressionante como a coisa funciona. Falo das pequenas coisas, da fila, do trânsito, das pequenas contravenções que não acontecem, ou até acontecem, mas numa dose tão menor do que a nossa, né?!

De vez em quando, alguém comenta que a corrupção, apesar de muito grande, é algo pequeno comparativamente ao tamanho da economia brasileira. Tenho dúvidas se os números são bem computados, e, mesmo que sejam, penso que o espírito da corrupção atrapalha muito mais o país do que temos informação e noção, e do que as contas diretas nos permitem calcular.

Acredito que boa parte do atraso do país está nesse espírito do jeitinho, do fazer um por fora, de dar uma voltinha pra conseguir o que se quer.

Tenho refletido muito, como imagino que muitos brasileiros têm, não sobre Brasília e os políticos, mas sobre nós mesmos, pessoas comuns, cidadão brasileiros, e nossa culpa nesse imbróglio todo em que nos metemos. Culpar “alguém” tem sido uma das piores coisas pois não assumimos nossos erros e não promovemos uma mudança como povo.

Tenho buscado minha culpa; também participei desse círculo vicioso que, sem que tenhamos nos atentando, tanto nos coloca pra baixo!

Por outro lado, uma semana nos EUA nos mostra como somos um povo incrível, friendly, leve, relax, divertido, criativo, e que curte a vida e curte curtir a arte de viver. Somos muito únicos no mundo, uma grande mistura de raças que tem uma pegada mais leve sobre viver.

Mas então por que ainda somos o Brasil atrasadão, da corrupção, do jeitinho, da coisa complicada e do lobby? Minha modesta compreensão do assunto – e uma provocação aos leitores e a mim mesmo, claro – é que ainda não acordamos o quão MAIS INCRÍVEIS poderemos ser como nação se cada pessoa se comportar melhor, se a gente quiser menos “levar vantagem” sobre o outro e agir mais como comunidade, uma nação!

Não é Brasília, somos nós! Não são os políticos, somos nós! Não é alguém, sou eu, você, cada um de nós! Não é a grande bandalheira, é o nosso pequeno jeitinho! O melhor do Brasil é o brasileiro, o pior também. Estamos dando muito do nosso pior e precisamos dar um basta! Um basta para cada um de nós! Pros nossos jeitinhos, pros nossos pequenos pecados. Aí, galera, Brasília muda, os políticos mudam e a gente muda como país. Bora reinventar nosso país?

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