Boom gastronômico em Alphaville: por que tantos restaurantes estão escolhendo nosso bairro?

Seis grandes casas chegam à região, que só nos últimos sete meses já recebeu outros oito novos restaurantes

Diz a lenda que, 45 anos atrás, um dos fundadores de Alphaville, Sr. Yojiro Takaoka, mandava entregar leite e o pão de manhã na porta da casa dos primeiros moradores do bairro. Comodidade? Não. Era carência mesmo. É que na época não existia nem padaria por aqui. Com o passar do tempo, a coisa foi evoluindo um pouquinho. Em 1981, ganhamos nossa primeira padoca, a Alpha Pães; os mais antigos na região não se esquecem do primeiro restaurante e pizzaria daqui, o La Rocca, de 1983 – que ficava no Centro Comercial Alphaville e virou ponto de encontro.

Mas foi só a partir de 1999 que alguns grandes restaurantes chegaram. Outback, America e Novilho de Prata estão nessa lista. Alguns fizeram história: quem não lembra o Galeto’s na Rio Negro? A partir dos anos 2000, começaram a surgir novos restaurantes com DNA do bairro, criados por moradores daqui. Bendita Hora, Maria João , The Black Horse Gastropub e Jankenpô são alguns exemplos. Agora, uma nova leva de casas de diversos tipos chega à região: tem bar, hamburgueria, comfort food, pub e padaria.

Nos últimos dez anos, o segmento gastronômico também evoluiu para os shoppings da região. Na ampliação de 2011, o Shopping Tamboré reforçou a ala de grandes operações gastronômicas. Na mesma época chegou o Iguatemi Alphaville, com redes famosas. Ainda assim, de acordo com uma enquete feita pela VERO, 30% dos moradores sentem falta de suas comidas preferidas por aqui. As maiores carências citadas foram restaurantes italianos e japoneses de “alta qualidade”, frutos do mar, mexicanos, opções de comida saudável, vegetarianos e veganos, comida mineira e baiana.

A enquete foi feita pela VERO entre os dias 11 e 15 de maio, com mais de 200 moradores da região. Ela não utiliza metodologia científica e foi direcionada ao público via e-mail e redes sociais.

18 do Forte ganha opções 

Agora isso começa a mudar. Pra se ter uma ideia, além do novo bar no antigo Almanara, só a região do 18 do Forte Empresarial vai receber três novas grandes operações: o Santa Mônica PUB, o T2 Café & Restaurante e uma unidade contêiner da hamburgueria Madero (confira todas as inaugurações na próxima página). Um detalhe: a região conta com apenas quatro ruas, que não somam mais que 1,5 km de extensão, e já é um dos principais polos gastronômicos de rua, com a pizzaria e restaurante Maria João, o japonês Tottori, o The Black Horse Gastropub, o El Uruguayo, de carnes, e o Restaurante Malagueta.

O empresário Moisés Pancia está à frente do The Black Horse há 14 anos e vê com bons olhos a chegada da concorrência: “Ela proporciona um olhar mais atento e profundo ao nosso próprio negócio, ajuda a evoluir e a não se acomodar. Além do mais, é muito bom para o consumidor, que terá mais opções”, diz.

Foi de olho nisso que os sócios Gustavo Diacopulos e Celso da Gama e Souza Filho, moradores de longa data de Alphaville e apaixonados por culinária, resolveram expandir o café no 18 do Forte. Eles notaram uma carência de comida comfort food, que valoriza a procedência dos ingredientes. “O T2 Café & Restaurante é o amadurecimento natural da nossa empresa. Começamos servindo cafés artesanais de primeira linha (grãos do tipo 2, que deram origem ao nome da casa), em 2016. Agora, na ampliação, vamos oferecer massas artesanais italianas, steaks e hambúrgueres nova-iorquinos, além de vinhos, drinks e cervejas especiais”, fala Gustavo. O restaurante inaugura em setembro, agora com um amplo deck ao ar livre, em um total de 500 m² com capacidade para 180 pessoas.

Na mesma região, onde funcionava a loja La Botanique, chegará o Santa Mônica PUB. Com diferentes ambientes, o cardápio vai da pizza aos petiscos, passando por vinhos, drinks e cervejas. Um vídeo publicado na internet mostra que o novo espaço terá mais de 2.000 m² e capacidade para 1.000 pessoas.

A enquete foi feita pela VERO entre os dias 11 e 15 de maio, com mais de 200 moradores da região. Ela não utiliza metodologia científica e foi direcionada ao público via e-mail e redes sociais.

Na mesma calçada na Av. Ipanema, será instalado o Madero Container, que deve ser o primeiro dos três a abrir por ali, com 400 metros quadrados e capacidade para 140 pessoas. Rafael Mello, vice-presidente de operações da rede, que também inaugurou recentemente outra unidade no Shopping Tamboré, está animado: “Adoro concorrência. Gosto até que abra do nosso lado, porque é bom para todo mundo e agrega para a região como um todo”, conta. O valor total investido nas duas casas soma R$ 6,5 milhões.

Fora do eixo do 18 do Forte, outras novidades previstas são a renomada rede de comida italiana Olive Garden, que deve ser a inauguração do ano no Shopping Tamboré, e a Empório Bethaville, padaria que tem duas unidades na região central de Barueri e traz uma nova operação para o AlphaSítio Centro Comercial. De acordo com o gerente geral Luis Carlos Lucas, será a primeira padaria italiana da região Oeste, com um empório com todos os tipos de produtos importados da Itália, além de pratos da gastronomia italiana. Serão 2.000 m² de área e capacidade para mais de 200 pessoas.

Outras grandes operações também chegaram recentemente: Bullguer, no Shopping Tamboré, e o gigante Coco Bambu, no Iguatemi Alphaville. A hamburgueria Zé do Hambúrguer abriu duas unidades (Al. Grajaú e Shopping Flamingo), e a padaria Quaresmeira também estreou no Green Park (região do antigo BCN). “Investir em Alphaville veio de uma carência de restaurantes no segmento de frutos do mar”, conta Paulo Walraven, sócio da rede Coco Bambu, que investiu R$ 10 milhões na unidade de 2.000 m2 , com capacidade para 500 pessoas.

Saiba mais aqui sobre os novos restaurantes que prometem mudar a cara da gastronomia em Alphaville. 

Para se consolidarem e não terem passagem-relâmpago pela região, como já foi o caso de TGI Friday’s, Bar Brahma, Desfrutti, The Fifties, entre outros, é importante ficar atento. Segundo a AGR, consultoria especializada em varejo, no Brasil as redes de restaurantes ainda têm uma baixa participação no mercado total, que tem mais de 1 milhão de estabelecimentos. Os operadores independentes dominam o mercado com 90% das operações. “A perspectiva, no entanto, é de maior crescimento nas redes, pois elas dispõem de mais recursos, maior escala operacional e gestão profissionalizada. Os operadores independentes devem enfrentar a competição com diferenciais como serviço, inovação e variedade”, pondera o head de food service da empresa, Fernando Cardoso. E o segmento, por si só, cresce significativamente. Em 2004 o mercado da gastronomia fora do lar representava apenas 22% do gasto médio do brasileiro com alimentação. Atualmente, chega a 34%, e a tendência é alcançar os 40% nos próximos cinco anos. Os dados da enquete feita pela VERO confirmam a expectativa: 44% frequentam os restaurantes do bairro entre duas e quatro vezes por semana. Cerca de 14% costumam sair para comer fora cinco ou mais vezes na semana.

A enquete foi feita pela VERO entre os dias 11 e 15 de maio, com mais de 200 moradores da região. Ela não utiliza metodologia científica e foi direcionada ao público via e-mail e redes sociais.

Próximos passos

“Podemos prever para Alphaville que o setor gastronômico terá crescimento sustentável bem acima da média nacional, por fatores como crescimento da população, renda média e maior amplitude de ofertas”, diz Fernando, da AGR, na análise exclusiva para a VERO. Ele faz algumas apostas para a região: “Ainda temos poucas opções para o café da manhã, lanches entre refeições e alimentação saudável, que é uma forte tendência”. E completa: “Outra área de oportunidade é aumentar as vendas por meio do delivery de diversas opções (além da tradicional pizza) e de refeições ‘grab & go’ (compra e leva)”.

É nessa fatia que alguns dos estreantes por aqui também querem apostar. É o caso do Zé do Hambúrguer. “A ideia sempre foi ter foco na loja da Grajaú e concentrar a operação de entrega no Shopping Flamingo. No fim, como percebemos a alta demanda no almoço em Alphaville, decidimos colocar 40 lugares no mall para rodar… e funcionou”, conta um dos sócios, Bruno Kobayashi. A unidade maior ficou com 280 m2 e capacidade para 140 pessoas, e a menor com 90 m2 e 40 lugares. Ao todo, R$ 1,2 milhão foram investidos pela rede por aqui.

A primeira hamburgueria a ter duas casas na região foi Real Burger. Com conceito de hambúrguer artesanal, o restaurante abriu a segunda unidade no Centro Comercial Alphaville em outubro do ano passado, voltada para entregas e take away. A primeira, no Alpha Square Mall, foi aberta em 2015 e tem 60 m2 . “Como nossa unidade é pequenininha, precisávamos de uma forma de levar nosso hambúrguer para a casa do cliente”, relata Victor Maximiano, um dos sócios do RB. O mesmo grupo foi o responsável por trazer para o bairro, também no sistema exclusivo de delivery, a tradicional pizzaria italiana Piola. “O grande diferencial é que, além da pizza artesanal, com ingredientes e processo totalmente italiano, também oferecemos massas, risotos, gnocchi e saladas. Ou seja, o cliente tem muito mais opções de comidas que chegam quentinhas na porta de casa”, fala Victor.

A enquete foi feita pela VERO entre os dias 11 e 15 de maio, com mais de 200 moradores da região. Ela não utiliza metodologia científica e foi direcionada ao público via e-mail e redes sociais.

Tá chovendo hambúrguer? 

Atualmente, existem pelo menos 13 hamburguerias por aqui: além das já citadas (Real Burger, Zé do Hambúrguer, Madero, Bullguer e Alpha Point), Topanga Outlaws, Tupan, Dusty Rusty, State Burger e General Prime Burger formam a lista de casas especializadas na iguaria por aqui.

A alta acompanha o crescimento do segmento de hamburguerias de todo o estado. De acordo com um levantamento da Consultoria Instituto Gastronomia, o setor cresceu mais de 500% na última década em São Paulo. Para Bruno Kobayashi, sócio do Zé do Hambúrguer, há uma explicação: “Com essa crise econômica, muito desemprego… a primeira coisa que a pessoa pensa é: vou abrir um negócio. Eu sei fazer hambúrguer, então, vai ser uma hamburgueria. Do mesmo jeito que abrem milhares, fecham muitas. Ficam só as melhores. A gente fez um estudo, e a concorrência aumentou. Quando abrimos, em 2008, se tinha 50 hamburguerias do mesmo nível era muito. De lá para cá, cresceu 20%. Acho que isso acontece porque, hoje em dia, o hambúrguer atinge todos os públicos, desde a criança até os mais velhos. É muito acessível, e todo mundo gosta”.

Rafael Mello, do Madero, concorda e promete continuar apostando no setor aqui mesmo na região: “Temos o Gerônimo Smash Burger, uma operação de hambúrguer smash, um conceito muito forte lá fora, principalmente nos EUA. Devemos trazer essa operação para Alphaville, possivelmente, no primeiro semestre do ano que vem”, diz.

O de sempre, chefia?

“Acreditamos que Alphaville precisa de boas opções. Os moradores não precisam ir a São Paulo para ter boas experiências gastronômicas”, diz Victor Maximiano, do Real Burger. Os dados da enquete da VERO reafirmam esse cenário: 43% dos moradores consideram que a gastronomia em Alphaville melhorou nos últimos anos; 79% informaram que ainda costumam ir a São Paulo em busca de restaurantes e bares. A maioria ainda acredita que a capital tem mais opções, ambientes mais interessantes e preços mais convidativos, mas 54% consideram que Alphaville ganha quando o quesito é “melhor atendimento, mais cuidadoso e personalizado”. O que faz muito sentido por aqui, uma região com menos de 100 mil habitantes, em que as pessoas são bem próximas. É ou não é gostoso chegar ao restaurante, ser chamado pelo nome e ainda ouvir: vai o de sempre, chefia?

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