Carlos Júlio: “Não se esqueça de celebrar”

De que maneira tem festejado suas vitórias? De que maneira tem compartilhado seu contentamento com fornecedores, sócios, colegas, colaboradores, investidores e comunidade?

Sempre foi assim, leitoras e leitores! Em tempos remotos, celebrar já era fundamental para quem vencia uma guerra, fazia uma bela colheita ou realizava uma lucrativa negociação comercial. Porque celebrar define ritualmente que o objetivo foi alcançado. Registra na memória coletiva a rota do acerto e a fórmula para superar as futuras pedras do caminho.

É por esse motivo, por exemplo, que cantamos e sopramos velinhas cada vez que completamos uma volta em torno do Sol. O conceito vale também para os negócios.

Aprendi sobre esse fenômeno da forma mais singela, no ambiente do boteco do meu pai, no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Na década de 1960, meu Santos papava quase tudo, com seu fantástico esquadrão, aquele de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Assim, a festa na capital paulista era grande quando algum outro time beliscava uma conquista relevante.

Na época, o clube que geralmente tinha esse gostinho era o Palmeiras. Quando triunfava, seus torcedores se encontravam para comentar os lances e comemorar. Nessas ocasiões, consumiam bastante cerveja e petiscos.

Meu pai, um português atento às práticas de consumo, logo percebeu que aquelas confraternizações geravam impacto nas vendas de seu modesto negócio. E aproveitava como podia as alegrias futebolísticas. Assim, por analogia, decidiu que, ao final do ano, tinha que celebrar seus bons resultados com os clientes.

E o que ele fazia? Preparava um coquetel cuja fórmula ninguém decifrava. Tinha cachaça, vermute e outras bebidas. Quando o cliente chegava, ele botava sobre o balcão um copo com sua saborosa invenção e saudava: “Feliz Natal, feliz ano novo”.

Tempos depois, meu pai vendeu o bar e comprou uma mercearia. Ali também celebrava suas pequenas conquistas. Quando o freguês de caderneta pagava as compras do mês, ele o presenteava com uma lata de goiabada ou um queijinho de minas.

Certa vez, em Madri, na Espanha, perguntei a Jack Welch, o executivo que revolucionou a General Electric, como ele fazia para liderar e motivar mais de 400 mil funcionários. Eu acreditava que essa era a parte mais difícil de qualquer empreendimento. Welch me respondeu de forma simples: “Julio, as pessoas compõem a parte mais fácil de um negócio”. Espantei-me e, logicamente, pedi mais detalhes. Ele resumiu sua filosofia: “A regra é desafiar, remunerar e… celebrar”. Com o tempo, comprovei a razão daquelas palavras.

Quer resultado? Desafie! O colaborador entrega? Pois remunere! Mas nunca se esqueça de celebrar, porque o dinheiro vai para o bolso, e a celebração vai ao coração. O coquetel, a goiabada e o queijo do seu José Julio simbolizavam a gratidão, o júbilo pelo objetivo alcançado. Era uma forma de consagrar a fidelidade, a mágica transformação do cliente em freguês.

E você, de que maneira tem festejado suas vitórias? De que maneira tem compartilhado seu contentamento com fornecedores, sócios, colegas, colaboradores, investidores e comunidade? Preste atenção: celebrar é muito mais do que fazer marketing. É recompensar o esforço. É educar a mente e o espírito para as virtudes que garantem o acerto.

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