Carlos Júlio: “Sim, você pode avançar com os inconformados”

Os melhores líderes são aqueles que compreendem os inconformados e os convertem em aliados

Em geral, os gestores se comportam de maneira receosa diante dos colaboradores inconformados. É natural, porque os inconformados atuam como poderosos motores da mudança. E a mudança, inevitavelmente, nos afasta, mesmo que temporariamente, da zona de conforto. Outro problema diz respeito à preservação da autoridade. Os inconformados são normalmente vistos como ameaças ao poder constituído.

Em um tempo marcado pela mudança constante, porém, os melhores líderes são justamente aqueles que compreendem os inconformados e os convertem em aliados no processo permanente de reinvenção.

E os inconformados não são, necessariamente, os superempreendedores que revolucionam setores inteiros da economia. Podem ser, em menor grau, funcionários do chão de fábrica ou dos fundos do escritório, aqueles que, aqui e ali, tentam novas soluções para problemas antigos.

O economista Michael Housman realizou uma pesquisa para tentar compreender por que determinados profissionais de atendimento ao cliente se mantinham em seus empregos por mais tempo que seus colegas. Descobriu que os funcionários que usavam o Chrome e o Firefox para navegar na internet mantinham-se 15% mais tempo no posto do que aqueles que usavam o Internet Explorer ou o Safari. Imaginou que fosse apenas coincidência e, para tirar a questão a limpo, fez mais uma investigação. Descobriu que a turma do Chrome-Firefox faltava 19% menos do que a turma do Explorer-Safari. Seguiu em frente e descobriu que o primeiro grupo fechava mais vendas, em chamadas mais curtas. E mais: depois de 90 dias no emprego, esses profissionais alcançavam níveis de satisfação do cliente que o segundo grupo levava 120 dias para obter.

Esse grupo do Chrome-Firefox não é mais bem-sucedido em função da qualidade dos navegadores que utilizam. Nem é porque supostamente sabem mais de tecnologia. A diferença é que essa turma cultiva algum inconformismo. São pessoas que não aceitam o padrão estabelecido e ousam escolher o diferente. O Explorer vem no pacote do Windows. O Mac tem o Safari pré-instalado. Para usar Chrome ou Firefox é preciso rejeitar o padrão, assumir algum risco e instalar um navegador diferente.

No trabalho, segundo o estudo, essas pessoas são saudavelmente divergentes. Buscam novos modos de vender e solucionar problemas. Criam roteiros originais para fazer as coisas, corrigem protocolos, melhoram suas próprias condições laborais e, assim, ficam no emprego por mais tempo.

Muitos de nós começamos a vida como “inconformados”, mas acabamos dobrados pelo sistema. Dessa forma, perdemos a sensibilidade, rebaixamos o senso crítico, aceitamos os padrões e nos acomodamos no menos ruim.

Portanto, a primeira dica vai para você que lidera: procure dialogar com seus colaboradores divergentes. Agregue-os sempre que possível. A segunda vai para você, que tem esse espírito inquieto e rebelde. Esqueça o coquetel molotov. Procure uma abordagem apropriada para mostrar as vantagens do seu novo padrão. É assim que vencemos preconceitos e constituímos a novidade que nos remete ao futuro.

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