Check-up na saúde: moradores de Alphaville e região avaliam os serviços público e privado

Durante o mês de fevereiro, a VERO realizou uma enquete para saber como os moradores da Alphaville, Tamboré e Aldeia da Serra avaliam os serviços por aqui. E mais: levantamos dados e números. Confira!

“Bom” ou “ótimo” é como a maior parte (53,84%) dos moradores de Alphaville, Tamboré e Aldeia da Serra avalia o serviço público de saúde em Barueri e Santana de Parnaíba – cidades onde os três bairros estão localizados. Foi o que revelou uma enquete feita pela VERO durante o mês de fevereiro com mais de 200 habitantes da região. A moradora de Alphaville Helena Vieira, 44, é uma delas. Em 2007 ela foi diagnosticada com hepatite C (doença viral que leva à inflamação do fígado) e fez todo o tratamento pelo sistema de saúde de Barueri, no Serviço de Atendimento Especializado (SAE), que reúne diferentes especialidades médicas. “Tive uma experiência ruim com o sistema privado e acabei procurando o atendimento público em Barueri. Deu supercerto! Fui e sempre sou muito bem atendida. Hoje faço acompanhamento a cada seis meses com um infectologista. No próprio local de atendimento, já fazem meu exame de sangue. O ultrassom tem uma espera maior, de três a quatro meses”, explica a administradora de empresas.

A enquete da VERO foi feita durante o mês de fevereiro com os moradores de Alphaville, Tamboré e Aldeia da Serra. Mais de 200 pessoas responderam à pesquisa (feita sem metodologia científica e direcionada ao público via e-mail e redes sociais)

Em contrapartida, a outra parte avalia como “regular”, “ruim” ou “péssimo” o trabalho realizado nos hospitais e locais de atendimento público na região, e tem seus argumentos. É o caso da Ariane Steffen Pellis, de 43 anos. Moradora de Alphaville há 32 anos, ela utiliza o serviço em Barueri desde 2012 e relata que, de uns anos para cá, a qualidade tem caído. “Antes o atendimento era muito bom, não tinha filas para fazer exames ou marcar consultas, e éramos atendidos no horário marcado. Hoje é difícil marcar uma consulta, e, quando conseguimos, o atendimento é lento e tem atrasos. Isso acontece também para fazer exames. Estou há um ano na fila para fazer uma ressonância magnética”, relata a personal trainer. Ela completa: “Apesar dos problemas, tenho todo o respaldo de saúde necessário. O Hospital Municipal de Barueri é muito bom, a infraestrutura é completa, com equipamentos novos. Mesmo com a demora, o sistema funciona”.

Um dos motivos da demora pode estar em outra resposta da enquete: falta alguma coisa nos bairros? A resposta é quase unânime entre os moradores: mais de 80% sentem falta de um hospital ou pronto-socorro público na região de Alphaville. E essa já é uma reivindicação bem antiga. Atualmente o bairro conta com uma unidade do Hospital Israelita Albert Einstein, que oferece consultas, exames e pronto atendimento 24 horas, e com uma unidade da Amil Resgate Saúde, com salas de emergências e recuperação, raio X e pronto atendimento. Ambos atendem apenas particular e convênios. O bairro conta ainda com o Instituto Paulista de Cancerologia (IPC Saúde), com atendimento para pacientes com câncer. Já Aldeia da Serra e Tamboré não contam com nenhuma unidade de atendimento. Em junho de 2016, Santana de Parnaíba inaugurou a Unidade Básica de Saúde (UBS) Alphaville/Tamboré, com atendimentos básicos e gratuitos para a população. Segundo a prefeitura, por lá são feitos cerca de 500 atendimentos por dia. Já do lado de Barueri, não há previsão de projetos no setor de saúde para o bairro. O município informa que os moradores podem utilizar o pronto-socorro do Imperial, inaugurado em setembro do ano passado. “Será construído mais um pronto-socorro, no Jardim Mutinga. Com isso, a região estará bem coberta no que tange às emergências”, esclarece a Secretaria de Comunicação da cidade. Além disso, a poucos minutos de Alphaville, os moradores podem contar com os serviços do Hospital Municipal Dr. Francisco Moran, que fica próximo ao antigo prédio da PUC.

A cidade de Barueri conta com uma população de mais de 267 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para atender essa demanda, o município conta com 30 locais de atendimento divididos entre hospital, UBS (confira aqui o endereço de todas as unidades), prontos-socorros, policlínicas, maternidade, ambulatório de especialidades, serviço de atendimento de especialidade e centro de atenção psicossocial, além de um corpo clínico de 1.400 profissionais. Em 2017 Barueri investiu mais de R$ 800 milhões no setor, e, para este ano, está previsto investimento de R$ 2,4 bilhões (o que inclui despesas fixas, de obras, entre outras). Já Santana de Parnaíba conta com 17 unidades de saúde, divididas entre unidade de pronto atendimento, UBS, unidades de saúde avançadas, centro de saúde da mulher, centro de especialidades, centro de fisioterapia e centro de atenção psicossocial, para atender uma população de mais de 131 mil habitantes, segundo dados do IBGE. O investimento em 2017 foi de R$ 163 milhões. Em 2018 o valor previsto é de R$ 190 milhões.

Constança Tavares, 72 anos, utiliza regularmente o sistema de saúde em Santana de Parnaíba, e foi lá, inclusive, que descobriu que tinha lúpus (doença inflamatória crônica de origem autoimune), e é onde faz o tratamento até hoje. Mas ela afirma que sentiu uma piora na qualidade do atendimento. “O Hospital Municipal de Santana de Parnaíba sempre foi muito bom, mas, infelizmente, nos últimos anos está ruim. Um exemplo é que minha mãe teve trombose na perna e foi encaminhada para lá. Ficamos a tarde toda para sermos atendidas, mesmo sendo uma emergência. A explicação para a demora no atendimento é a grande demanda de pacientes e poucos médicos”, conta. Porém, a moradora de Alphaville elogia os serviços prestados na Unidade Básica de Saúde Alphaville/Tamboré. “O atendimento é muito bom. Passo em diferentes especialidades, e o corpo clínico é excelente. A infraestrutura é completa, e todos os equipamentos são novos.” Ela ainda destaca: “Apesar de a qualidade da saúde em Santana ter decaído, não tenho do que reclamar; muitos locais são bons, como o atendimento no Centro de Especialidades Parnaibano (CEP)”.

As duas cidades também disponibilizam aos moradores a distribuição de medicamentos gratuitamente. Em Barueri é feita pela Farmácia Municipal 24h (pelo site da prefeitura, é possível ver a disponibilidade dos remédios). Já em Santana de Parnaíba, a entrega é feita nas unidades básicas e avançadas de saúde. Os dois municípios contam ainda com farmácias de alto custo, com medicamentos para quem faz tratamento de doenças pulmonares crônicas, mentais ou degenerativa, como lúpus, esclerose, câncer, Parkinson, hepatite B e E. “É ótimo, pois o medicamento sempre está disponível, e é um gasto a menos. É bem simples, você apresenta a receita médica e um documento, eles colocam no sistema, e você já sai com o medicamento”, destaca Ariane, que utiliza esse serviço em Barueri.

A enquete da VERO foi feita durante o mês de fevereiro com os moradores de Alphaville, Tamboré e Aldeia da Serra. Mais de 200 pessoas responderam à pesquisa (feita sem metodologia científica e direcionada ao público via e-mail e redes sociais)

Corpo Clínico nos bairros

Um estudo feito em 2015 pela Pfizer, indústria do setor farmacêutico, revelou que o assunto saúde está no radar dos brasileiros. Isso porque 76% dos entrevistados disseram que o tema é um dos itens mais importantes da vida. Na região não é diferente. Prova é que 80,77% dos moradores de Alphaville, Tamboré e Aldeia da Serra fazem check-up anualmente, segundo a enquete da VERO – confira outras pesquisas aqui. Com a melhora dos cuidados com a saúde, aumenta também a quantidade de anos de vida. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em 2016, a expectativa de vida dos brasileiros agora é de 75,8 anos, um acréscimo de três meses e onze dias em relação a 2015.

De acordo com o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP-SP), 516 médicos trabalham na cidade de Barueri e 619 em Santana de Parnaíba, em diferentes especialidades, atuando em centenas de clínicas e consultórios. Sem contar os laboratórios privados de medicina diagnóstica por aqui: são pelo menos sete. Segundo a enquete da VERO, entre os médicos mais consultados pelos moradores estão o ginecologista e obstetra (40%), clínico geral (30,53%) e dermatologista (29,47%). Apesar de ginecologia e obstetrícia ser a especialidade mais frequentada, ela também está na lista de especialistas dos quais os moradores sentem mais falta na região (31,25%).

Saúde bucal

Já diz aquela famosa frase: “A saúde começa pela boca”, e não é à toa. Ter a saúde bucal em dia diminui o risco de futuros problemas dentários, na boca e também no corpo. Isso porque, além de exercer papel importante na fala, mastigação e respiração, a boca é a porta de entrada para bactérias e outros microrganismos prejudiciais à saúde. Segundo a pesquisa feita pela VERO, 46,96% responderam que vão ao dentista pelo menos uma vez ao ano, e mais de 35% disseram que vão a cada seis meses. Essa informação vai na contramão de dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostrou que 55,6% dos brasileiros não procuram um profissional para tratar da saúde bucal anualmente.

Segundo o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CRO-SP), Barueri conta com 471 cirurgiões-dentistas ativos; em Santana de Parnaíba, são 360 profissionais em atuação. Além disso, Alphaville dispõe de três laboratórios particulares para exames na área. Na saúde pública, os dois municípios oferecem o serviço de odontologia em suas Unidades Básicas de Saúde (UBS). No bairro, os moradores podem contar com atendimento odontológico gratuito na UBS Alphaville/Tamboré.

Apesar das boas avaliações sobre a saúde na região, vale destacar que um hospital ou pronto-socorro públicos no bairro continua sendo a principal reivindicação dos moradores. Porém, a redação da VERO apurou que não há planos dos governos municipais nesse sentido.

 

 

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