Helio Contador: “Autoridade conta?”

Fomos treinados desde crianças a respeitar autoridades, ou no mínimo, seguir e obedecer a certas pessoas que percebemos como sendo uma celebridade ou alguém que tem muito poder e conhecimento

Aprendemos a vida inteira que, para uma dieta saudável, deveríamos nos alimentar a cada 3 horas. Só que tem aparecido há algum tempo e com certa frequência em postagens do Facebook notícias sobre as vantagens do jejum para nossa saúde, que por sinal tem origem milenar. Uma delas é a que o Dr. Yoshinori Ohsumi, biologista celular e Nobel de Medicina em 2016, constatou que o jejum é uma arma poderosa em favor da saúde. Neste estudo, feito por Ohsumi, teria sido comprovado a renovação celular e os benefícios diversos da dieta restritiva. Mark Mattson, chefe do Laboratório de Neurociência do Instituto Nacional de Envelhecimento e professor na Universidade Johns Hopkins, foi além e revelou em uma das palestras do TEDx que, além de não prejudicar nossa saúde, passar longos períodos sem comer pode trazer benefícios gigantescos ao nosso cérebro!

A partir de notícias como essas é que muita gente começou a aderir ao jejum, acompanhado por profissionais ou por conta própria, somente acreditando que, se muitas pessoas famosas (independentemente se são da área da saúde ou não) falam sobre isso, então deve ser muito bom!

Não estou aqui defendendo nem uma nem outra posição, mas sim provocando a questão da importância de alguém com notoriedade pública fazer certas declarações e as pessoas decidirem seguir os padrões apresentados, sem se preocupar em fazer um questionamento mais profundo.

Por que será que isso acontece? A explicação é que temos uma tendência natural e fomos treinados desde crianças a respeitar autoridades, ou no mínimo seguir e obedecer a certas pessoas que percebemos como sendo uma celebridade ou alguém que tem muito poder e conhecimento sobre determinado assunto.

No caso do Dr. Ohsumi, ganhador de um prêmio Nobel de Medicina, a opinião dele é muito respeitada e atrai muitos seguidores, independente de análises mais profundas do estudo que foi feito. Mesmo porque, nos dias de hoje, com o excesso de informações que nos bombardeiam incessantemente, tomamos decisões importantes somente lendo as manchetes da notícia, sem entrar em muitos detalhes. Só que isso pode nos levar a tomar certas decisões que não são, necessariamente, as melhores para nós.

Numa sociedade evoluída, é normal mostrarmos respeito a pessoas que seguem uma carreira ligada a ordem pública, como por exemplo policiais, bombeiros, religiosos, políticos, delegados, juízes, médicos, advogados, engenheiros, etc. Isso acontece quando observamos e percebemos seriedade, competência e honestidade desses profissionais, o que nem sempre é verdadeiro.

A percepção de autoridade é um gatilho mental – saiba mais sobre isso aqui – muito importante para chamar nossa atenção e pode ser visto em várias atividades do dia a dia. Uma delas é nas propagandas comerciais que utilizam pessoas famosas do cinema, rádio, televisão, youtubers e blogueiros. Por serem pessoas muito conhecidas, essas personagens, quando recomendam o uso de um determinado produto ou serviço, aproveitam da sua “autoridade” para alavancar o consumo e consequentemente as vendas.

O lado complicado dessa situação é quando as pessoas ficam fascinadas para seguir alguém que consideram uma autoridade e passam a obedecer cegamente a seus preceitos, independentemente de qualquer racionalidade. É como se nosso cérebro bloqueasse qualquer raciocínio lógico sobre o assunto. Leia também: “O ser humano gosta de imitar outra pessoas”. 

Sabendo disso, muitos profissionais da persuasão, bem como malandros e falsários, se utilizam de títulos falsos para enganar as pessoas e conseguir vantagens em diversas situações. De tempos em tempos surgem no noticiário a prisão de falsos médicos que atuavam em hospitais como se fossem formados em medicina, ou mesmo religiosos e políticos enganando o povo impiedosamente.

Isso dito, a mensagem que fica é para ficarmos sempre alertas aos noticiários que invadem nossos computadores e smartphones e evitarmos acreditar em tudo que lemos e ouvimos. Apesar da agitação e velocidade das coisas cotidianas, vale sempre uma melhor investigação nos fatos e nas pessoas que personificamos como sendo uma “autoridade”.

Um abraço e até o próximo artigo…


Gostou? leia mais artigos de Helio Contador aqui! 

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