Helio Contador: “Amanhã eu faço…que agonia!”

Segundo psicólogo Tim Pychlyl, deixar as coisas para depois pode ser prejudicial para a saúde mental, com o aumento do estresse, da sensação de culpa e sentimento de vergonha

Num dos artigos anteriores falamos de um gatilho mental importante, que é sobre o sentimento, mesmo que inconsciente, de cumprir algo que prometemos a alguém. Ou seja, quando há um compromisso há uma promessa.  É que somos treinados desde o nascimento a cumprir as promessas que fazemos, para sermos bem vistos nos círculos sociais e nas comunidades ou grupos que frequentamos. O problema começa quando vamos empurrando o cumprimento da promessa ou da tarefa prometida, o famoso “amanhã eu faço”.

Essa introdução serve para lastrear um artigo muito interessante da Revista Mente e Cérebro (edição 307 – Editora Segmento) que fala bastante sobre isso: os efeitos de postergarmos ou deixarmos para o último minuto a preparação de um trabalho, um relatório ou mesmo uma lição de casa que precisamos realizar, a conhecida procrastinação. Basicamente conheço dois tipos de personalidades, sendo a primeira aquela que, impulsivamente, procura resolver a situação de imediato e se livrar do problema o mais rápido possível, que é o meu caso, por exemplo. O segundo tipo de personalidade é daquela pessoa que deixa tudo para o último minuto, se possível usar a prorrogação do segundo tempo do jogo para resolver a questão.

Temos que considerar o fato de que a complexidade e importância da tarefa devem ser levadas em consideração. Se tivermos que preparar uma apresentação muito importante, isso pode tomar mais tempo e exigir pesquisas, além de alguma inspiração para que o trabalho se processe.

Posso dar um exemplo meu: quando preciso preparar uma aula ou uma palestra que ocorrerá em 30 dias, costumo iniciar os preparativos e a parte básica central do conteúdo com uma certa antecedência, mesmo porque durante os dias ou semanas seguintes a minha mente vai estar sintonizada no tema em questão e meu inconsciente vai estar atento à notícias ou novidades que possam surgir durante o processo de preparação até a data final.

O artigo que citei menciona uma pesquisa feita pelo psicólogo Tim Pychlyl, pesquisador da Universidade de Carleton, no Canadá, que estuda o fenômeno da procrastinação há mais de duas décadas. Segundo ele, deixar as coisas para depois pode ser prejudicial para a saúde mental, com o aumento do estresse, da sensação de culpa e sentimento de vergonha pelo não cumprimento dos compromissos e responsabilidades assumidos.

Conheço pessoas que deixam tudo para o último minuto, fazem hora extra e ficam sem dormir, mas acabam entregando o trabalho no prazo combinado (só que nem sempre com a qualidade desejada). Se você funciona desse jeito e isso não te afeta nos pontos que o psicólogo mencionou, tudo bem. Mas, se de alguma maneira esse tipo de atitude está te fazendo mal, sugiro procurar algum jeito de melhorar isso.

O hábito da impulsividade ou da procrastinação pode ter até um fundo genético e uma mudança desse tipo pode ser trabalhosa, mas não é impossível. Talvez requeira uma ajuda profissional. De qualquer forma está nas nossas mãos tomar essa decisão, entendendo a importância e as consequências desses hábitos na nossa vida pessoal e profissional.

Um abraço e até o próximo artigo…

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