Helio Contador: “A comunicação e o cérebro: como saber ouvir”

Conheça as técnicas e ferramentas mais usadas para ter uma boa comunicação na hora de influenciar, engajar e motivar as pessoas

Uma das habilidades mais aclamadas num grande líder é sua capacidade de se comunicar, ou seja, sua competência comunicativa. Não me lembro, na história da humanidade, de ter lido ou conhecido algum grande líder, em qualquer área de atuação, que não tenha dominado a arte da comunicação, o que nem sempre significa ser um Silvio Santos da vida!

Hoje quero falar sobre a importância que é o impacto da boa comunicação na hora de influenciar, engajar e motivar as pessoas e quais são algumas técnicas e ferramentas mais usadas para desenvolver essa habilidade.

Em primeiro lugar, um bom comunicador tem que saber ouvir. Como disse Peter Drucker, “O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito”.

Num processo de comunicação, praticamente todas regiões do nosso cérebro são ativadas, seja na audição, através dos Lobos Temporais, seja na visão, através do Lobo Occipital, seja na compreensão da linguagem e das sensações através do Lobo Parietal, seja na produção da fala e do intelecto no Lobo Frontal, só para citar alguns exemplos de uma forma simplificada. Isso porquê, não só as palavras são interpretadas, mas sim o conjunto completo da linguagem, incluindo as expressões faciais, postura e gesticulações corporais, tom de voz, etc.

O córtex cerebral tem como uma de suas funções primordiais a automatização da expressão comportamental e da interpretação. Ele é ensinado a concluir, a partir de poucos elementos, qual é o provável significado das palavras, gestos e atitudes, além de também formar e antecipar o significado das coisas a partir de vivências, experiências e percepções anteriores.

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Em um recente artigo publicado no blog Neuroscience News com o título: “O nosso cérebro tem o poder de antecipar as palavras antes de elas serem pronunciadas” os autores citam que a antecipação ou previsão é um dos principais mecanismos neuro-cognitivos do nosso cérebro. A cada milissegundo, o órgão mais complexo do corpo humano tenta antecipar ativamente o que vai acontecer em seguida, dependendo do conhecimento que tem do ambiente em que se encontra.

Isso dito, vamos falar agora de uma das dificuldades que mais encontramos no dia a dia das pessoas, que é o ato de “não saber ouvir” os outros. Em primeiro lugar, estamos sendo bombardeados por milhares de informações através das mídias digitais, sem que nosso cérebro esteja treinado para processar tudo isso, o que induz a um alto grau de dispersão, superficialidade e ansiedade nos nossos pensamentos. Queremos concluir ou terminar a frase que a outra pessoa está falando, mesmo antes de ela finalizar. Em segundo lugar, tendemos, como visto acima, a adivinhar as coisas mesmo antes das palavras serem ditas, esquecendo que os significados e realidades são individuais e normalmente diferentes de pessoa para pessoa. Vale lembrar que nossas realidades são formadas através das nossas percepções, nossas experiências, nossas memórias, emoções, crenças e valores. Por isso cada um tem sua própria realidade!

Que tal trazermos algumas dicas para nos prepararmos melhor na hora de ouvir alguém e prestar realmente atenção no que estão querendo nos transmitir?

  1. Deixe o smartphone de lado e preste atenção (foco) na pessoa que está falando: como é difícil fazer isso hoje em dia, com tantas distrações ao nosso dispor, ligadas ao Facebook, Instagram, Internet, Messenger e assim vai. Além de ser uma tremenda falta de educação perante à pessoa que estamos conversando, o fato de continuarmos lendo e respondendo as mensagens recebidas denota um desprezo a quem está falando.
  2. Fique atento às palavras não ditas e ao linguajar corporal. Existem alguns estudos que falam que, sem podermos generalizar, as palavras não representam mais do que 7% no conteúdo da conversa. A parte mais importante vem através da linguagem corporal, do tom de voz, etc.
  3. Hoje em dia está difícil, mas tenha paciência para o ritmo do interlocutor. Não queira apressar e concluir as coisas antes do tempo de quem está falando. Algumas pessoas são muito rápidas e outras mais lentas e, por isso, cada um tem seu tempo; respeite. Nossas conclusões apressadas tendem a estar equivocadas em relação às expectativas de quem está falando.
  4. Tenha disposição para esclarecer aquilo que deixou alguma dúvida e não tenha medo de não saber algo ou então fingir que entendeu só para não parecer estúpido. É muito fácil entrarmos numa fria em ocasiões como essas.
  5. Use de empatia na comunicação com outras pessoas. Essa é uma das qualidades mais requeridas atualmente e uma peça importante no sucesso das pessoas, seja no trabalho ou nas vidas familiar e social.

No artigo de hoje enfatizei a importância de “saber ouvir” e prestar atenção no que as pessoas estão realmente querendo nos transmitir. Numa outra oportunidade vamos falar um pouco sobre algumas técnicas que poderão nos ajudar na hora de uma palestra ou de uma apresentação numa reunião de trabalho, na escola ou mesmo entre amigos.

Um abraço e até o próximo artigo…


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