Helio Contador: “Estamos gerenciando nossas emoções de forma inteligente?”

Através dos conhecimentos neurocientíficos, podemos entender melhor o funcionamento do nosso cérebro, principalmente nas áreas mais ligadas às emoções.

Viver no mundo de hoje não está fácil, seja em casa, no trabalho ou na rua: nervos à flor da pele, tensão, estresse, depressão e ansiedade batem de frente com a gente, todo santo dia!

Ser não for verdade para você, parabéns, pois você é um dos poucos felizardos a contornar esse problema que deve afligir mais de 90% da população.

Para aqueles mortais que sofrem disso rotineiramente, em maior ou menor escala, podemos desenvolver juntos algumas análises das principais causas e quais são os remédios existentes para amenizarmos esse impacto desastroso na nossa vida, que pode culminar com doenças, brigas familiares, demissões e, nos casos mais graves, até em mortes desnecessárias, como acontece frequentemente no trânsito caótico das grandes cidades.

A título de exemplo, um estudo liderado pelo Dr. Jeff Meyer, pesquisador do Mental Health Institute, foi publicado recentemente no site da Neuroscience News.

A pesquisa mostrou que as pessoas com períodos mais longos de depressão não tratada, com duração superior a uma década, tiveram significativamente mais inflamação cerebral em comparação com aqueles que tinham menos de 10 anos de depressão não tratada. Em um estudo anterior, a equipe do Dr. Meyer descobriu a primeira evidência definitiva de inflamação no cérebro em depressão clínica. Veja mais detalhes no link: http://neurosciencenews.com/depression-brain-changes-8581/

Existem vários estudos mostrando que as pessoas que conseguem controlar suas emoções de forma inteligente são as que melhor se saem na vida pessoal, social e profissional.

Autoconhecimento, autoconfiança, automotivação e alto fator de inteligência emocional são fundamentais para os indivíduos que obtém sucesso na vida pessoal e progridem na carreira profissional.

Através dos conhecimentos neurocientíficos, podemos entender melhor o funcionamento do nosso cérebro, principalmente nas áreas mais ligadas às emoções.

Vamos precisar dividir esse assunto em, pelo menos, duas partes, sendo a primeira delas necessária para um mínimo de embasamento funcional do nosso cérebro.

Em 1970 o neurocientista americano Paul MacLean elaborou a Teoria do Cérebro Trino e a apresentou em 1990 no seu livro “The Triune Brain in evolution: Role in paleocerebral functions”. Ele discute o fato de que nós, humanos/primatas, temos o cérebro dividido em três unidades funcionais diferentes, representando um extrato evolutivo do sistema nervoso dos vertebrados.

Reforço o fato de que uso essa divisão como metodologia funcional para facilitar o entendimento das nossas funções básicas e não necessariamente como uma divisão fisiológica. Vale também observar que nem todos neurocientistas confirmam essa teoria.

A divisão do cérebro trino

O Cérebro Reptiliano (R-complex) é formado apenas pela medula espinhal e pelas porções basais do prosencéfalo e é capaz apenas de promover reflexos simples de forma instintiva, o que ocorre em répteis, por isso o nome. Cuida basicamente da sobrevivência (movimentos motores básicos tais como andar, correr e emoções primárias, como, fome e sede) e preservação da espécie (reprodução).

O Cérebro Emocional ou dos Mamíferos Inferiores (Paleommamalian Brain), é o segundo nível funcional do sistema nervoso e, além dos componentes do cérebro reptiliano, conta, dentre outros, com os núcleos integrantes do Sistema Límbico, que é responsável por controlar o comportamento emocional dos indivíduos. Esse nível de organização corresponde ao cérebro da maioria dos mamíferos;

O terceiro é o Cérebro Racional, conhecido também como neocórtex, que, no seu conjunto, tem como responsabilidades as funções executivas e as sensações gerais (audição, olfato, visão, paladar e gustação). Segundo MacLean, é o que diferencia o homem/primata dos demais animais, e o que possibilita ao homem desenvolver o pensamento abstrato e a capacidade de gerar criatividade e invenções.

Entendo que essa explicação seja fundamental para tentarmos entender um pouco nossas reações ainda tão primitivas, instintivas e cheias de emoção: acredito que, no processo evolutivo, estamos ainda mais para os seres primatas do que para os seres angelicais!

Fórmula mágica?

Segundo o Dr. Augusto Cury, nós valorizamos demais o mundo exterior, das aparências. Nós somos pouco treinados para atuarmos como diretor e gestor da nossa existência, muito menos para gerir nossas emoções. Vivemos a dualidade da timidez ou da arrogância, morremos de medo do que os outros pensam ou falam de nós, medo de errarmos e nos mostrarmos como seres falíveis e imperfeitos. Temos grande dificuldade em lidar com perdas e frustrações do passado (crises depressivas) ou então nos preocuparmos demais com o futuro (ansiedade exagerada).

Infelizmente não existe uma fórmula mágica para resolver esses assuntos de uma forma simples e rápida, mas como citei no início desse artigo, autoconhecimento, autoconfiança, automotivação e alto fator de inteligência emocional são fundamentais para termos uma qualidade de vida melhor, pessoal e profissional.

No próximo artigo vou falar com mais detalhes como podemos gerenciar melhor nossas emoções e trazer os insights de autores renomados nesse assunto; vamos falar, por exemplo, dos cinco domínios da inteligência emocional de Daniel Goleman, das nossas inteligências múltiplas e várias dicas para desenvolver um emocional inteligente da especialista Vera Martins. Espero vocês lá…


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