Helio Contador: “A liderança sob a ótica da Neurociência”

Como será que as descobertas científicas da Neurociência podem ser colocadas em prática e nos ajudar a encontrar o “Líder Ideal”?

Essa procura idealizada pode se tornar uma busca incessante que as empresas perseguem, tentando seguir modelos pré-definidos de centenas de consultorias e empresas de coaching e treinamentos especializados no assunto, mas nem sempre se preocupam em descrever claramente qual o perfil do líder que estão buscando para uma determinada tarefa, perfil esse que tem que ser personalizado para a sua cultura empresarial.

Por sinal, creio que não exista uma receita pronta para descrever um “perfil do líder ideal” nas diferentes funções dentro de uma empresa, a começar pelo alinhamento dos perfis empresa/funcionário nos campos da Missão, Visão e Valores.

Existem várias definições genéricas de líder: um exemplo é aquele que possui a habilidade de motivar e influenciar os liderados, para que contribuam espontaneamente e com entusiasmo para alcançarem os objetivos da equipe e da organização.

Os estudos da Neurociência (leia também: Como a Neurociência se aplica no nosso dia a dia) confirmam que cada pessoa é única e cada cérebro funciona de forma diferente, ou seja, podemos reagir de forma distinta ante aos mesmos estímulos. As pesquisas científicas nos mostram, porém, que alguns fatores são fundamentais para o desenvolvimento da liderança.

Um desses pontos é o líder saber trabalhar a confiança. A confiança é um fenômeno da mente inconsciente, é a habilidade de entrar no mundo de alguém para fazer esse alguém sentir que você o entende, que existe um forte vínculo comum. Confiança é a essência da comunicação bem-sucedida, é o instrumento final para produzir resultados em outras pessoas.

Outro ponto importante é a hierarquia: a hierarquia básica do ser humano está relacionada à família e é desenvolvida através das gerações.  Todos nós precisamos de uma referência em algum outro ser humano; sem essa referência ficamos perdidos, desorientados e instáveis. Por isso, cuidado na hora de implantar um organograma desprezando os níveis hierárquicos na sua empresa.

Adicionalmente, se fala em competências e habilidades tais como empatia, autocontrole, assertividade, habilidade de tomar decisões, honestidade, foco nos resultados, inovação, empreendedorismo e outras mais. Ou seja, são tantas opções que, o que é importante para uns pode não ser a prioridade para outros.

A busca por motivação, responsabilidade, espírito de equipe e comprometimento passam pelos fatores citados anteriormente, por isso que muitos não têm sucesso como líderes, pois não desenvolvem os padrões básicos do relacionamento humano, na minha opinião.

Numa cultura empresarial de alta performance, é comum utilizar-se o conceito de Líder Servidor, Líder Empático ou mesmo o Líder Coach, todos eles com algumas características comuns que são: gerar desenvolvimento e amadurecimento da equipe, maximizar o potencial de cada funcionário, gerenciar competências e habilidades da equipe, dar feedback constante e ser um facilitador para respostas rápidas e eficientes antes de sair buscando culpados.

Num estudo recente, empresas com cultura de alta performance, comparadas com as tradicionais, se tornam mais efetivas, geram mais empregos e riquezas, segundo John Kotter e James Heskett.

No campo da inteligência emocional, Daniel Goleman concluiu que 70% da capacidade de liderança vêm de habilidades de interação pessoal. O bom líder consegue equilibrar assertividade e humanidade nos momentos corretos e adequados.

Tenho acompanhado o neurocientista David Rock, do Neuroleadership Institute nos Estados Unidos, que coloca como uma das principais características do Líder estimular a capacidade de mudança nas pessoas através da mudança do pensamento, criando assim novas conexões cerebrais em vez de destruir pensamentos antigos, que representam conexões permanentes ligadas à emoções vivenciadas. A ideia é que, mudando o pensamento as pessoas mudam suas emoções, que acabam por mudar seus comportamentos, obtendo assim melhores resultados.

Resumindo, precisamos entender que não existe uma fórmula pronta para todos os casos, uma vez que nossas decisões são baseadas nas nossas percepções, que por sua vez são resultados de nossas experiências.

Nós somos pessoas únicas, com vivências diferentes de outras pessoas, assim como o nosso DNA.

Por isso, acredito que tentar imitar ou copiar os passos e hábitos de um líder reconhecido no mercado tem grande chance de dar errado.

Podemos sim nos inspirarmos nas atitudes e comportamentos de nossos ídolos e buscarmos, nas trajetórias vencedoras, modelos que possam ser adaptados ao nosso “DNA mental e emocional”, porém desenvolvidos por nós mesmos, com esforço e dedicação. Daí a importância do autoconhecimento e da autoconfiança.

Num artigo futuro vamos falar com mais detalhes sobre os bastidores da Disney no quesito sucesso em liderança, mas, enquanto isso, se tiver algum comentário ou sugestão, deixe no final desse artigo. Sua opinião vale muito para os futuros artigos. Até lá…

 

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