Juliana de Lacerda Camargo: “Estou sendo honesto comigo mesmo?”

Somos grandes pisadores de bola, e o que nos diferencia é o que fazemos quando percebemos que pisamos na bola

Há alguns dias fui tomar um café com uma grande amiga e conversávamos sobre a motivação sincera de nosso coração. Falávamos como é bom chegar numa fase da vida em que, ao invés de justificar nossos erros, realmente nos propomos a enxergá-los sem justificativa, aceitá-los e aprender com eles, tendo a chance de escolher os melhores caminhos a partir dali. Falávamos também o quanto isso é difícil, mas também libertador!

Como vocês sabem, converso com muitas pessoas todos os dias e as ajudo a conhecerem a si mesmas com honestidade e verdade. E é lindo ver que no início elas chegam para nossas conversas preocupadas com o que penso, em justificar o que fazem e pensam, mas aos poucos sentem que existe um espaço livre e seguro para olharem de uma maneira diferente e aprenderem com a forma com que passam a verdadeiramente ver as motivações do coração.

Sempre digo para meu filho que “é mais esperto quem aprende mais”, e isso é verdade em contextos cognitivos, mas também comportamentais, em que o autoconhecimento e capacidade de enxergar o que não é bacana acontecem de uma forma honesta e verdadeira.

Não nascemos perfeitos, não somos perfeitos e nunca seremos (sem contar que a própria definição de perfeição é relativa). Pelo contrário, como também sempre digo, somos “grandes pisadores de bola, e o que nos diferencia é o que fazemos quando percebemos que pisamos na bola”… o problema é que quando não admito ser alguém que erra, jamais poderei aprender, melhorar e crescer.

E pra mostrar como isso é mais comum do que se pode pensar, compartilho uma situação pontual vivida esta semana. Conversava com um cliente que me disse que precisava de “mais tempo” pra poder processar o que conversávamos e dar andamento ao que combinávamos em nossas reuniões de coaching, pois aquilo tudo não era fácil pra ele.

Mas, no mesmo dia em que ele me disse isso, logo antes analisávamos um teste de perfil que trazia um retrato de seu momento e que para ele fazia sentido. Nesse teste, um dos principais e mais evidentes pontos era o fato de que esse meu cliente é daquelas pessoas meio “MacGyver”, que têm uma capacidade fora da curva de improvisar, usar o que têm pra criar o que não existe e por aí vai.

Uma outra peça importante é que na última reunião que havíamos tido ele mencionou que lidava muito mal quando sentia que seu comprometimento era questionado – isso realmente o tirava do sério.

Sendo assim, com os dois cenários que pra mim não fechavam, mais sua declaração da reunião anterior, pedi permissão para checar algo que o desafiaria, sabendo que poderia estar errada. “Sei que esse processo de se ver não é fácil. Reconheço isso! Mas você, mais que a grande maioria das pessoas, é capaz de vender areia na praia, dar nó em pingo d’água e fazer bomba com grampo… A sensação que tenho é que você está se desculpando com medo de eu achar que não está se comprometendo… Isso faz algum sentido?”

O sorriso que surgiu em meu cliente foi automático, daqueles que dizem “Me pegaram!”. E, numa autoanálise muito honesta ele disse: “Acho que é verdade…” E o mais bacana é saber que, a partir dessa reflexão, talvez meu cliente comece a focar mais no que tem a seu favor do que em proteger a imagem de comprometido. Além disso, possivelmente ele mesmo comece a olhar para si toda vez que estiver “se enganando” e, se escolher tomar outro caminho, obterá resultados diferentes do que vinha tendo até agora. Pois é… a verdade liberta!

Aliás, pense na sua vida… nesta semana, por exemplo. O que você fez que talvez não tenha sido tão bem intencionado, nobre ou verdadeiro como dizia pra si mesmo ser? E se você entender que “pisar na bola” é simplesmente humano e acessar honestamente onde você pisou na bola? E se com isso tirar aprendizados honestos sobre a vida, você e o que quer atingir? Talvez seja uma boa oportunidade para testar e, quem sabe, adotar uma nova mentalidade de vida.

É isso aí.

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