Juliana de Lacerda Camargo: Pergunte-se mais

Perguntas “certas a fazer” também consideram uma visão de onde se deseja chegar para que se mantenha um foco, além de muita honestidade consigo mesmo

Atribui-se a Einstein a autoria de uma frase incrível: “Se eu tivesse uma hora para resolver um problema e minha vida dependesse da resposta, eu passaria os primeiros 55 minutos pensando nas perguntas certas a fazer. Porque se eu soubesse as perguntas certas, eu poderia resolver o problema em menos de 5 minutos.”

Uma das coisas que ensinamos em nossos treinamentos para liderança é o poder da pergunta e, na sequência, como fazer questionamentos que tirem as pessoas de suas zonas de conforto e as levem para lugares de criatividade, novas perspectivas, autorresponsabilização e etc.

E, dentre as perguntas que ensinamos está a seguinte: “O que eu não perguntei a você que deveria ter perguntado?” – uma pergunta que parte do pressuposto de que a própria pessoa pode pensar em quais seriam as melhores perguntas a se fazer e que nos leva a concluir que existem as perguntas que podemos fazer aos outros, mas também as perguntas que podemos fazer a nós mesmos.

Se máxima atribuída a Einstein vale aqui, se cada pessoa treinar passar um tempo pensando nas perguntas certas, talvez estratégias, planos e ações passem a ser diferentes e mais eficazes. Mas o que significa ‘pensar nas perguntas certas a fazer’?

No meu conceito, “perguntas certas” são aquelas que derivam da curiosidade genuína de descobrir o que ainda não é conhecido, de se colocar sob diferentes chapéus e, geralmente, aquelas que não têm resposta imediata. Afinal, também é atribuída a Einstein o conceito de insanidade = “fazer as mesmas coisas repetidas vezes e esperar resultados diferentes”. Ou seja, as respostas que já temos tenderão a nos levar a lugares que já conhecemos e por isso é importante buscar perguntas cujas respostas ainda não temos (pelo menos automática e/ou conscientemente).

Perguntas “certas a fazer” também consideram uma visão de onde se deseja chegar para que se mantenha um foco, além de muita honestidade consigo mesmo, pois elas poderão abranger aspectos sobre você mesmo e sua realidade.

Assim como já mencionamos em textos anteriores, uma pergunta, por si só, tem um incrível poder de fazer com que paremos e nos foquemos para buscar a resposta. Costumo brincar que até mesmo quando você está num evento social sem prestar muita atenção ao “blá, blá, blá” de alguém, quando a pessoa pergunta “O que você acha?”, ou até mesmo um simples “Né?” faz com que nos voltemos totalmente à pessoa e pensemos “Meleca, o que ele falou mesmo?”

Pois é, a despeito da brincadeira, perguntas em geral têm esse poder – elas nos mobilizam e focam. Agora, imagine esse poder somado às características colocadas mais acima e utilizadas em seus contextos diários, como trabalho, relacionamentos, família: o que seria diferente se você começasse a ser mais cientista e buscar perguntas intencionais para chegar a melhores respostas?

Também mencionamos em nosso treinamento para líderes que uma única pergunta foi capaz de mudar o curso da humanidade – quando paramos de perguntar “Como chegamos à água?” e passamos a nos perguntar “Como trazemos a água até nós?”Aliás, a mentalidade dos norte-americanos é também formada por uma pergunta que as pessoas passaram a se fazer como instruiu JFK – “Não se pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte-se o que você pode fazer por seu país”

E com base em toda essa exposição, convido-o para um teste. Pense em alguma situação/desafio/projeto que tem hoje – seja em que área for. Agora, partindo das características que compartilhei, pergunte-se:

-O que eu ainda não sei a esse respeito?

-O que eu já tenho certeza?

-O que é fato e o que é sensação? (Sugestão: leia o texto ‘Acho que vi um fantasma’ aqui)

-O que penso sobre isso?

-O que sinto sobre isso?

-O que minha intuição me diz sobre isso?

-Se eu fosse mais (diferentes qualidades ou como modelos que admira) como lidaria com essa situação?

Aproveite os resultados e seja transformado!

É isso aí.

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