Juliana de Lacerda Camargo: “Quanto é normal se questionar?”

Se por um lado a grande maioria das pessoas se questiona em algum momento, por outro também existem aquelas que são mais ‘desconfortáveis’ por natureza, enquanto outras são mais ‘contentes’

Se você é como a grande maioria das pessoas comuns, já viveu ou agora mesmo vive momentos de questionamentos sobre quem é, onde está e para onde vai. É verdade que, se por um lado a grande maioria das pessoas se questiona em algum momento, por outro também é verdade que existem aquelas que são mais ‘desconfortáveis’ por natureza, enquanto outras são mais ‘contentes’. As pessoas mais desconfortáveis são aquelas que constantemente questionam situações, pessoas, contextos, além de si mesmas. Já as contentes, como o próprio nome diz, mais facilmente se contentam com o que lhes é posto ou onde chegam.  

Geralmente as pessoas mais contentes são aquelas que se dão bem com todos e geram um ambiente harmonioso sem dificuldade. Já as mais desconfortáveis se sentem motivadas a mudar o status quo e se sentem retrocedendo ou estagnadas quando as coisas não avançam ou mudam, e com isso podem gerar mais atritos com pessoas ao seu redor quando não aprendem a gerenciar a capacidade de gerar desconforto nos ambientes.

Principalmente entre as pessoas mais questionadoras, muitas vezes encontro o desejo de viverem uma realidade em que questionamentos não existem, mas somente certezas. Isso acontece porque nosso cérebro lida mal com incertezas e por isso essas pessoas vivem um conflito interno – se por um lado são constituídas dessa forma questionadora e isso as motiva, por outro seus cérebros buscam naturalmente por segurança, o que as faz ficarem cansadas quando não há pausa nos questionamentos. Com isso, essas pessoas podem buscar um ideal de estabilidade em suas escolhas e ter a crença de que para serem felizes não podem desejar questioná-los.  

Uma coisa que aprendi e aprendi a valorizar nessa vida é que tanto o desconforto quanto o confronto bem gerenciado são excelentes oportunidades de crescimento! Não podemos esquecer que crescer dói, e a dor muitas vezes é o campo em que se dará o crescimento. Ou seja, a dor faz parte e anuncia algo bom! Da mesma forma questionamentos nos tiram da zona de conforto… e, zona de conforto é um lugar de estabilidade, voo cruzeiro. Sair da zona de conforto pode me levar a dois lugares – um ruim e um bom: o lugar de desconforto em si e o desconforto por me sentir desconfortável (ruim); ou o lugar de desconforto em si e a busca pelo que posso aprender dali e como posso crescer (bom). Mesma realidade, duas formas de ver e lidar totalmente diferentes. Enquanto uma me leva a mais questionamentos e desconfortos; outra me leva ao crescimento.   

Eu sempre fui questionadora da minha própria vida. Quando chego num lugar, logo já quero ir para o próximo degrau, lidar com o próximo desafio, crescer e aprender um pouco mais. Houve uma época em que isso me cansava, em que eu ficava chateada por não chegar num lugar em que pudesse dizer: ‘pronto, cheguei’. Até que entendi que minha natureza era essa e que nunca deixaria de me questionar. O que precisaria aprender seria dosar e avaliar melhor as motivações por trás dos questionamentos, bem como a insistência sobre eles, além dos impactos que posso gerar nas pessoas ao meu redor, sem falar na própria necessidade do meu cérebro de ter alguma segurança.  

O que aprendi é que estar mal faz parte de estar bem. Se me sinto bem quando cresço, então questionar, sentir medos, ter dúvidas e correr atrás de novas respostas faz parte e comporá novos cenários que levarão ao crescimento e, portanto, a me sentir bem. O que aconteceria com a vida se nunca questionássemos e estivéssemos sempre contentes com tudo?  

Com tudo isso quero dizer que, se você é alguém questionador e se sente constantemente desconfortável, saiba que: 

  1. Que bom que existem pessoas que desafiam o status quo do mundo.
  2. Aprenda a tirar o melhor de quem você é. Aprenda a gerenciar essa característica de uma forma positiva e produtiva.
  3. Se por um lado o questionamento faz parte da vida, por outro você pode estar gerando um desconforto demasiado ao seu redor e impactando negativamente os relacionamentos. Atente-se a isso e ao fato de que as outras pessoas não precisam ser como você. Cada um tem o seu tempo e sua identidade. Saiba quando parar! 
  4. Lembre-se que seu cérebro precisa de algum grau de segurança, seja lá qual for. Entenda seus limites e encontre formas de respeitá-los. Isso trará saúde emocional e física!
  5. Não basta questionar! Sobre as conclusões que chegar, é importante que haja construção. Não se contente apenas com a primeira parte, pois você pode chegar muito longe!

É isso aí.  

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