Juliana de Lacerda Camargo: “Talvez eu só precise descansar um pouquinho…”

Nossas reservas de energia definem quão produtivo é nosso pensamento, como gerenciamos nossas emoções, nossa capacidade de compreensão e a qualidade de nossas decisões

Recebi uma foto de uma pessoa há algumas semanas… e ela dizia: “Eu preciso de uma nova perspectiva na vida… ou talvez só uma soneca. É, provavelmente só uma soneca.”

Dei muita risada quando recebi, porque a pessoa que me mandou a foto é muito espirituosa e encontrou uma forma divertida de lidar com algo verdadeiro: a exigência de dedicação física e mental do mercado de trabalho – em especial alguns segmentos – versus nossa capacidade biológica de lidar com tal demanda.

Herbert J. Freudenberger (1926 – 1999), psicólogo alemão, explorou o termo “burnout” e o definiu como um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional – leia também: “Como está sua organização e saúde?”. E, apesar desse estado de esgotamento ser resultado de exigências internas e externas conjuntamente, há segmentos e atuações que requerem mais das pessoas e, portanto, geram um contexto mais propício ao esgotamento aqui mencionado.

Sim, é verdade que temos de nos dedicar e nos adaptar ao segmento que escolhemos trabalhar, mas também é verdade que temos um pensamento binário e tendemos a achar que, ou a pessoa diz “sim” a tudo o que lhe é pedido, ou não é uma pessoa dedicada.

Agora, é curioso como as pessoas entendem e respeitam os limites das máquinas… mas muitas vezes ignoram os limites do ser humano… que é infinitamente mais complexo e gasta energia até dormindo. Nossas reservas de energia definem quão produtivo é nosso pensamento, como gerenciamos nossas emoções, nossa capacidade de compreensão e a qualidade de nossas decisões, sem contar que até nossa coordenação motora pode ser afetada.

Mas, então, se ultrapassar limites é contraproducente, o que fazer para atender a tantas demandas de uma forma sustentável?

O primeiro passo é conhecer e respeitar seus próprios limites – físicos e mentais. O segundo é compreender que entre o preto e o branco existem muitas tonalidades. Ou seja, você pode escolher reduzir a quantidade de “sim” que diz no dia, o que pode significar colocar algumas condições e limites, além de dizer alguns “nãos” de vez em quando. Além disso, você pode adotar pequenos hábitos diários que lhe trarão mais energia. Pode ser levantar por cinco minutos durante um projeto maçante, espreguiçar, olhar para o nada por cinco minutos, fazer uma simples ligação, dar risada de alguma situação (às vezes do próprio projeto maçante…), e por aí vai. Há outras coisas que podem ser feitas, mas iniciar com essas frentes já impacta numa grande mudança de mentalidade e comportamento… Não deixe de ler também: “Rir ainda é um dos melhores remédios”

O principal é entender que a ideia não é bater de frente com a realidade em que você vive e nem de qualquer forma negá-la, mas sim “espalhar algumas tomadas” ao longo do caminho… Pense em seu corpo como uma fonte limitada de energia. E, se seu computador e celular precisam ser ligados a uma fonte de energia de tempos em tempos, quão mais real é essa necessidade para seu corpo, mente e espírito?

Sabe quando entramos no avião e nos dão instruções de segurança? Uma delas é: coloque primeiro sua máscara, para depois colocar em outras pessoas. E a ideia por trás é simples… desmaiado você não poderá ajudar ninguém.

É isso aí.

Compartilhe
Leia mais de Juliana de Lacerda Camargo

Juliana de Lacerda Camargo: “Talvez eu só precise descansar um pouquinho…”

Nossas reservas de energia definem quão produtivo é nosso pensamento, como gerenciamos...
Read More

COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *