Por Daniel Modesto: “Homem Sapiens Mobile”

Leitor da VERO e amante de cinema e literatura, Daniel fala sobre a relação do homem com a tecnologia e questiona se essa revolução virtual é uma evolução ou um retrocesso

Darwin
Ilustração Rafael Duque

Quando pensamos em evolução humana, logo associamos ao estudo científico de Charles Darwin (1809 – 1882), que desenvolveu uma teoria aonde o homem é resultado de uma série de mudanças e processos. Vamos fazer uma pequena reflexão sem afirmar a veracidade da teoria, pois devemos respeitar as diversas linhas de pensamentos: imaginamos que desde os primórdios da humanidade, aonde o homem engatinhava e andava curvado como um animal, a sua comunicação era precária, sua inteligência estava em constante processo de evolução, tudo indicava que o homem chegaria ao seu auge existencial.

Começamos a nos diferenciar dos animais, criando uma liderança com descobertas importantes, como a produção do fogo, o desenvolvimento da roda e a capacidade de criar um sistema inteligente, aonde a civilização pudesse viver dentro de um compartilhamento de ideias, favores e habilidades. Não entraremos no mérito de desconstrução do ideal humano, através de guerras e disputas por território, pois o importante é centrar a discussão no que vem a seguir: o nascimento do homem mobile.

Os benefícios que um celular traz para a vida moderna são inegáveis. Além das funções comuns de ligações e trocas de mensagens, é como se uma nova sociedade se instalasse na palma da mão, com todas as funções que uma rotina moderna pode oferecer. Mas será que em termos sociais e de relacionamento, toda esta revolução virtual é uma evolução ou um retrocesso em termos humanos?

Já citamos os inúmeros benefícios que um celular pode oferecer, mas qual foi a última vez que nos conectamos realmente com alguém? Um olhar sincero, tronco erguido, uma boa conversa? Será que não estamos presos dentro de um mundo virtual, aonde tudo soa tão superficial? Se exercitarmos um pouco a qualidade de observadores, em lugares públicos, as pessoas estão sempre curvadas olhando para a palma da mão, dificilmente estão se percebendo, é como se o ambiente em volta fosse um mero detalhe.

O que Darwin diria sobre tudo isto? Será que a famosa ilustração da evolução humana, aonde a coluna vertebral, que vai se erguendo ao longo dos tempos, vai ter de ser redefinida em ordem de regressão?
O tempo dirá. Só espero que a sociedade do futuro não se torne uma realidade distópica, aonde as máquinas dominaram, e a vida humana possa ser extinta, aonde tudo terá que começar do zero. Talvez esteja assistindo a muitos filmes de ficção cientifica, espero que neste caso a vida não imite a arte.

Daniel Modesto é redator de uma agência de marketing digital, é amante de cinema, literatura e cultura nerd, gosta de refletir sobre filosofia e comportamento humano.

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