Waltinho Nascimento: “Árbitro de vídeo – Existe Justiça no futebol?”

Vou ampliar a pergunta do título: Existe justiça na vida? Para mim a resposta é: Não! O futebol pode ser um espelho da vida das pessoas.

justiça no futebol

Você acredita que se fizer tudo certinho – trabalhar com honestidade, educar seu filho com dedicação, cuidar da sua saúde etc – você garante que não acontecerão na sua vida coisas completamente inesperadas, que poderão de um segundo para o outro destruir todo o caminho arduamente trilhado?

Não, não existe garantia nenhuma disso. Isso, no entanto, não significa que pessoas de bem devam sair por aí sendo desonestas, mal educando filho e comendo junk food como se não houvesse amanhã. A gente ainda assim busca respeitar o companheiro de trabalho, se dedicar para que nossos filhos tenham uma educação digna e cuidar da saúde na esperança de que isso diminua a possibilidade de termos alguma doença grave. No mínimo, isso tudo ajuda a gente a dormir melhor.

Mas vamos voltar ao futebol. Esses dias enquanto vagava pelo meu feed de notícias no facebook vi o post de um amigo sobre uma matéria que detalhava o conflito entre duas torcidas organizadas nos arredores do Maracanã e seu comentário sobre a notícia  era: O futebol é um mal na vida das pessoas.

Me pareceu radical. Na melhor das hipóteses, ingênuo. Mas dá para adaptar a frase dele e torná-la um pouco mais próxima do que acredito: O futebol pode ser um espelho da vida das pessoas.

Vi isso recentemente na semifinal da Libertadores da América disputada entre Lanús e River Plate, ambos da Argentina.

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) permitiu o uso de um recurso que há muito vem sendo debatido no futebol: o árbitro de vídeo.

Com as transmissões televisivas (e online) ganhando qualidade – imagem em Full HD, 2k, 4k e cada vez mais câmeras na transmissão – tem ficado cada vez mais claro o quanto os erros de arbitragem influenciam no resultado de uma partida. Nesse contexto o árbitro de vídeo pintou como uma “solução” para essa “injustiça”.

Mas o que é o árbitro de vídeo afinal?

Resumindo: a partida tem um lance polêmico? O juiz para o jogo e vai ver em uma TV o replay da jogada para decidir o que marcar.

Esse tipo de recurso já é usado com sucesso em outros esportes como futebol americano e tênis, mas no nosso futebol sempre houve uma rejeição (tanto dos dirigentes como do torcedor) no uso dessa ferramenta.

“Com o árbitro de vídeo não teríamos na história do futebol o inesquecível gol de mão do Maradona na Copa de 1986”, diziam uns. “O futebol tem lances interpretativos, o replay não resolveria isso”, diziam outros. “A graça do futebol vem do debate”, argumentavam mais alguns.

O embate entre as equipes argentinas foi decidido com uso do recurso. A imagem do árbitro de vídeo ajudou o árbitro da partida a marcar um pênalti claríssimo a favor do Lanús que de dentro de campo ele não havia visto. Mas antes disso o mesmo árbitro deixou de usar o recurso em um lance a favor do River Plate que poderia ter matado o confronto. E o debate sobre o uso da ferramenta se reascendeu.

Mas onde está o erro disso tudo? De novo, vou ser direto – O erro é achar que o árbitro de vídeo garante algum tipo de justiça ao futebol. Um time se prepara bem para a partida, analisa o adversário, joga melhor 89 minutos e no final toma um gol sem querer.

O futebol é um esporte injusto!

Na vida e no futebol vale usarmos todos os recursos disponíveis para tentarmos ser mais corretos, mais justos. Mas é aquilo, não espere garantia de que no final vai dar tudo certo.


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Envie para: neuronio@vero.com.br

 

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