Waltinho Nascimento: “Fadiga mental no futebol”

Em uma palestra, o treinador do sub15 do Corinthians, contou algumas das dificuldades que enfrenta com os meninos que treina, e usou o termo “fadiga mental” para resumir situações que alguns passam

Há alguns meses li uma entrevista do atacante espanhol Bojan falando de sua carreira. Ele explicava como passou de “o novo Messi” para um jogador completamente esquecido no cenário do futebol internacional. De fato, nas categorias de base do Barcelona, Bojan tinha números para ser comparado ao craque argentino. Tanto que foi promovido em 2007 ao time principal do Barça aos dezessete anos e convocado para a Seleção espanhola, que seria campeã da Eurocopa, aos dezoito.

Mas Bojan não foi campeão da Eurocopa 2008. O atacante pediu dispensa da Seleção alegando que precisava se isolar para cuidar de sua mente e suas crises de ansiedade. Também há alguns meses, participei da CONAFUT – Conferência Nacional do Futebol – evento muito legal com palestras e depoimentos muito interessantes de profissionais de várias áreas, todas ligadas ao mundo da bola. Um deles chamou a atenção em especial sobre o assunto que abri esse texto.

Leandro Macagnan, treinador do sub15 do Corinthians, contou algumas das dificuldades que enfrenta com os meninos que treina, e usou o termo “fadiga mental” para resumir situações que alguns dos pequenos jogadores corintianos passam. Leandro contou da pressão que as famílias dos rapazes muitas vezes impõem, jogando nos filhos a responsabilidade de um futuro melhor para todos.

Contou dos gramados horríveis onde os garotos têm que jogar, correndo riscos de lesões muitas vezes graves. Do calendário de jogos absurdamente desumano dos campeonatos de base, com deslocamentos enormes em um país com dimensões continentais. Da pressão de ter que conciliar profissão-estudo, afinal, os clubes cobram que todos estejam estudando, e por mais que isso seja legal, nem todos conseguem acompanhar o ritmo. O treinador do sub15 contou isso e muitas outras coisas que ajudam a gente entender melhor por que um jovem promissor como Bojan sofreu, como ele mesmo chama, um bloqueio psicofísico em um momento decisivo de sua carreira.

Para quem se interessa pelo tema, aconselho procurar no Google a dissertação de mestrado de Leandro – “Qualidade de vida e motivação relacionados ao desempenho desportivo de jovens jogadores de futebol de elite”. O treinador discorre um pouco sobre a teoria da autodeterminação, um estudo sobre a origem da motivação que tem como base o tripé “autonomia, autoimagem e pertencimento”.

Aconselho a leitura!


Confira mais colunas do Waltinho Nascimento aqui 🙂 

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