Waltinho Nascimento: “À nação, sim. Ao governo, não”

Sei que o momento que o país vive faz a gente desanimar de qualquer ambiente que tenha o mínimo de patriotismo, mas vou repetir em 2018 o que fiz em 2014: separar nação de governo

A Copa do Mundo está chegando, e tenho visto pouca gente animada com o evento – veja aqui como os moradores de Alphaville vão aproveitar os jogos. Poucas bandeiras nas sacadas dos apartamentos, poucos comentários nas redes sociais, poucas bandeirinhas nos carros. Por outro lado, tenho lido pesquisas de marketing que demonstram que o Mundial tem se tornado um evento cada vez mais importante na vida dos brasileiros. Com a vida corrida que temos hoje, a Copa tem se mostrado um dos raros momentos da vida em que conseguimos parar, junto com pessoas de que gostamos, para apoiar um mesmo objetivo.

Para quem gosta de futebol, provavelmente, ainda não deu tempo de pensar em Copa. Com o Campeonato Brasileiro a todo vapor, Libertadores, final de Champions League, ainda não deu para focar exclusivamente no maior evento futebolístico do mundo. Mas talvez exista outro motivo para as pessoas ainda não terem se conectado completamente com o torneio da Rússia: a falta de heróis brasileiros no momento. Leia também: “Seleção Brasileira: representatividade ou qualidade?”

Com a ampliação cada vez maior das redes sociais, onde todo mundo está exposto o tempo todo, tem ficado cada vez mais complicado construir unanimidades. Será que, com a personalidade que tinha, Ayrton Senna despertaria hoje a mesma paixão que despertou nas décadas de 80 e 90? Acredito que não.

Esse é um fenômeno extremamente recente. É só a gente parar para pensar que em 2006 tínhamos uma seleção recheada de heróis: Ronaldo, Adriano, Ronaldinho, Kaká. Em 2010, pela forma como nosso treinador conduziu o processo, acabamos perdendo um pouco de identificação, apesar de os resultados não terem sidos tão ruins como nossa memória curta tende a lembrar.

Mas em 2014 aconteceu algo inédito por aqui: o povo conseguiu separar nação de governo. Apesar do desastre do 7 x 1, conseguimos ter certo orgulho de algumas coisas que aconteceram em terras brasileiras.

O hino à capela mostrou que, mesmo com escândalos de estádios superfaturados, a gente ainda poderia ter orgulho de quem somos. E fora de campo, pelo menos, entregamos uma das Copas mais agradáveis de se participar.

Sei que o momento que o país vive faz a gente desanimar de qualquer ambiente que tenha o mínimo de patriotismo envolvido, mas tento sempre ver o copo meio cheio. Para mim, tudo pelo que passamos nos últimos anos traz indignação, mas sempre com esperança. Hoje sabemos mais dos problemas, e assim, quem sabe um dia, possamos resolvê-los.

Vou repetir em 2018 o que fiz em 2014: fora de campo vou separar minha nação dos meus governos. Tite, você é o candidato a herói da vez. Hoje em dia, isso pede mais do que conquistas esportivas. Não nos decepcione. Que venha o hexa!


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