Waltinho Nascimento: “Seria o Corinthians, campeão brasileiro de 2017, fruto do acaso?”

O time de Itaquera começou esse ano completamente desacreditado de que pudesse alcançar grandes objetivos. Mas…

Foto: Daniel Augusto Jr / Agência Corinthians

Há pouco retomei a minha rotina depois de gozar de um mês de férias ¨colegiais¨ que tirei do meu trabalho, período esse do qual passei pelo menos um terço em casa, sem fazer absolutamente nada. Me pareceu lógico não fazer nada no lugar onde normalmente mais temos coisas para fazer. Talvez isso me desse a verdadeira noção de férias. Minha rotina se limitou a acordar tarde, (re)ver muitos filmes e, claro, jogos de futebol.

Em meus momentos metido a Walter Casagrande parei para pensar e tentar entender a campanha vitoriosa do Corinthians nesse heptacampeonato brasileiro. Honestamente tive alguma dificuldade de entender de onde surgiu tamanha superioridade na tabela em relação à maioria dos rivais.

Sem respostas, deixei o futebol um pouco de lado e passei ao cinema, outra arte da qual gosto muito. Em determinado domingo engatei uma sequência de 3 filmes de que gosto muito: Efeito Borboleta, com Ashton Kutcher, O Curioso Caso de Benjamin Button, com Brad Pitt, Não Por Acaso, produção brasileira com direção do meu amigo e professor Philippe Barcinski e reparei que os três tem algo em comum: a presença do acaso na vida das pessoas.

Seria “o acaso” uma resposta aceitável em relação à conquista do Corinthians?

Explico:

O time de Itaquera começou esse ano completamente desacreditado de que pudesse alcançar grandes objetivos.

-Pouco dinheiro em caixa dificultava a contratação de grandes jogadores e o Corinthians acabou se contentando em trazer de volta algumas peças que estavam emprestadas a outros clubes e um ou outro jogador com um pouco mais de bagagem chegou para dar um ar de esperança.

-As tentativas em trazer grandes técnicos do momento foram todas frustradas e o time teve que se contentar em promover um assistente para a função de principal treinador.

-Os problemas políticos se agravavam com pedidos de impeachment do presidente e denúncias de que sua Arena estava envolvida em esquemas de corrupção, apareciam semanalmente na mídia.

-A imprensa tratava a equipe como a quarta força do estado de São Paulo, atrás dos rivais Palmeiras, Santos e São Paulo.

Teria o acaso juntado isso tudo, resolvendo a falta do tão valorizado planejamento esportivo e feito com que esse time jogasse bola para vencer um campeonato longo, duro, de 38 rodadas? Muitas conquistas históricas do futebol se deram com ajuda do acaso. É só relembrar alguns casos próximos a nós:

Em 2005 o São Paulo Futebol Clube vinha fazendo um começo de ano promissor, com o time galopando rumo ao título do campeonato paulista e tendo boa participação na Libertadores da América. No dia 01/06, em um jogo das quartas de final da competição continental, o jogador Grafite – titular absoluto do time mas muito contestado pela torcida – teve uma ruptura de ligamento do joelho que o tiraria do restante da temporada. O São Paulo preocupado com a perda dessa peça foi ao mercado procurar alguém que pudesse substituí-lo à altura.

Conseguiu mais do que isso, trouxe uma figura que veio se tornar uma das grandes lideranças e destaques de todas as grandes conquistas que o time do Morumbi teve no ano: Amoroso. Jogou apenas por 6 meses no SPFC mas até hoje é visto como ídolo da torcida e por muitos como o diferencial de craque e personalidade que aquele time precisava para chegar tão longe.

Algo semelhante aconteceu com o próprio Corinthians no ano de 2012, quando conquistou a tão desejada taça Libertadores e o Mundial de Clubes.

O goleiro Júlio César, revelado na base do clube era o titular da equipe até as quartas de final do campeonato paulista daquele ano, quando uma falha grotesca fez com que sua equipe fosse eliminada da competição. O técnico do time, Tite, sacou o goleiro que era querido pela torcida mas não passava nenhuma segurança à equipe para promover o então desconhecido Cássio, que na ocasião era o terceiro goleiro na fila e por uma questão de estatura (tem 1,95m, 4 centímetros maior que o segundo goleiro Danilo Fernandes), acabou ganhando a vaga de titular. Não é que o gigante fechou o gol e foi fundamental, quiçá o grande responsável pelas conquistas alvinegras daquele ano!

Claro que nesses dois exemplos outros fatores foram determinantes para que os anos de 2005 e 2012 terminassem com São Paulo e Corinthians levantando a taça de melhor time do mundo. De qualquer forma eu poderia ficar aqui lembrando de inúmeros casos parecidos que já aconteceram na história do esporte mas retomo a pergunta: Seria o Corinthians, campeão brasileiro de 2017, fruto do acaso? Um monte de problemas e erros de direção que juntos resultaram em uma equipe competitiva, segura, difícil de ser batida?

Minha mulher, psicóloga, me disse enquanto eu escrevia esse texto que para Freud ¨coincidências não existem¨.

Sem clubismo, o que você acha, leitor?


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Que venha o hexa!


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COMENTÁRIOS

  • Essa também é a explicação mais intuitiva pra mim, Waltinho. Sem dúvida, a falta de recursos aliada à desconfiança – ao que vc se refere como acaso – obrigou o time a “se virar com o que tinha” como dizem.
    Mas acho que há um ponto que pode ter contribuído tanto quanto o “acaso” (sem clubismo). Desde os anos 2000 o Corinthians começou internamente uma mudança de filosofia, que pra resumir em algumas palavras, se sustenta (1o) na noção de coletividade superando qualquer necessidade de eleger um craque que carregue o time nas costas e (2o) na manutenção do treinador vigente, com possíveis adaptações no caminho (como aconteceu na transição entre Tite e Carile).
    Na minha opinião, esses dois fatores foram sendo gradualmente incorporados à filosofia do time, e teve seu auge na gestão do Tite. Nessa temporada, apesar de recursos parcos e desconfiança, aqueles jogadores (de nível médio) foram enquadrados nessa idéia, e acredito que isso tenha sido o gatilho para a campanha desempenhada (principalmente no 1o turno).
    Valeu pelo texto! Abraços

  • Algum fator psicológico influiu grandemente, eu acho. Fora a torcida da mídia, que também contribuiu. E ainda – dizem por ai – o jogo feijão com arroz, retrancado.

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