Waltinho Nascimento: “Tal Brasil, tal Rússia”

Estão preparados para a Copa do Mundo 2018? Estou desconfiado de que teremos uma grande Copa dentro de campo

Vocês lembram o clima pré-Copa do Mundo aqui no Brasil em 2014? Eu lembro. Era de depressão. Vivíamos o auge dos protestos políticos e a Copa se tornou um alvo da população que via (com razão) nos novos e modernos estádios a corrupção materializada.

Para quem ama futebol como eu amo, era um conflito doloroso. Como curtir a tão esperada Copa no Brasil sem se sentir um alienado político-social-econômico?

Mas quando a hora chegou, uma surpresa: o que se viu foi uma população envolvida em um torneio que inegavelmente entregou uma estrutura bem satisfatória no entorno das Arenas. O gringo se divertiu, se sentiu bem recepcionado e as pessoas pelo menos por um momento, esqueceram os problemas e se deixaram levar pelo esporte que sempre foi a esperança de orgulho nacional.

Mas para quem gosta de futebol dentro de campo houve outra grande surpresa: tivemos jogos fantásticos durante a competição.

Alguns deles foram:

-Espanha 1 x 5 Holanda

A Espanha que era à época campeã do mundo tomou uma senhora goleada

-Alemanha 4 x 0 Portugal

A Alemanha, já mostrando que seria grande candidata ao título, goleou Portugal com Cristiano Ronaldo e tudo

-Uruguai 1 x 3 Costa Rica

O Uruguai que era campeão da América foi derrotado pela Costa Rica que chegou como zebra e conseguiu classificação no que era conhecido como Grupo da Morte

-Costa Rica 1 x 1 Grécia

A Costa Rica, com um homem a menos desde o início da partida, conseguiu uma classificação heroica nos pênaltis para as quartas de final, feito histórico da equipe centro americana

-Colômbia 2 x 0 Uruguai

James Rodrigues fez os dois gols da partida, um deles, considerado o gol mais bonito da Copa

-Alemanha 7 x 1 Brasil

Triste para nós, mas um jogão….da Alemanha, claro. A partida ainda contou com uma quebra de recorde. O atacante Miroslav Klose fez seu 16º gol em Copas do Mundo, ultrapassando o brasileiro Ronaldo e se tornando o maior artilheiro da história das Copas

Quase 4 anos depois – o tempo passou – 2017 vai se aproximando do fim e a Copa da Rússia de 2018 vai tomando cada vez mais cara.

O clima dessa vez? Péssimo ainda. Existem inúmeras denúncias de corrupção do governo russo na construção das Arenas, inclusive com denúncias de trabalho escravo nas obras.

Por aqui não tá nada melhor. Desemprego, crise econômica e as pesquisas eleitorais mostram que para eleição do ano que vem, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Mas, novamente, estou desconfiado de que teremos uma grande Copa do Mundo dentro de campo.

Vejamos:

-Brasil: terminou as Eliminatórias Sul-Americanas com moral, jogando um futebol firme, seguro, com momentos de brilho.

-Argentina: se classificou na bacia das almas, mas é a Argentina, com um plantel sempre muito forte.

-Alemanha: vem de um título incontestável em 2014 e aparentemente o trabalho continuou sendo bem feito. As substituições de jogadores veteranos se mostraram eficazes. É só ver que nas eliminatórias europeias os alemães se classificaram com 100% de aproveitamento, chegaram a final do torneio olímpico de 2016 com um time que pode ser considerado reserva mesmo para a equipe sub-23 e venceram a Copa das Confederações desse ano com sua equipe B.

-Portugal: não aparenta chegar à Copa como uma das grandes favoritas, mas nunca se pode desprezar a equipe campeã europeia, que tem Cristiano Ronaldo coroado recentemente o melhor jogador do planeta pela 5ª vez e com fome de conquistar o sexto troféu.

-Inglaterra: Não chega nem em uma semi final de Copa desde 1990, mas desde 2011 vem colhendo os frutos de um trabalho de renovação de seu futebol voltado ao desenvolvimento de jogadores jovens. Entra nessa conta o aprimoramento da estrutura das seleções, com a inauguração do St. George’s Park National Football Centre auxiliando a integração de diferentes categorias. Isso tudo pode respingar de maneira bem positiva na seleção principal.

Com o trabalho sério, os resultados têm aparecido: classificação sólida em seu grupo nas eliminatórias para a Copa e Campeã dos mundiais sub17 e sub20.

-França: Vem com jogadores que são considerados como os melhores desde a geração campeã mundial de 1998. Chegou à final da Eurocopa, perdendo para Portugal por 1×0 (para muitos, de forma injusta).

-Bélgica: Mais uma vez chega à Copa credenciada por uma classificação avassaladora nas eliminatórias e o futebol jogado em algumas partidas foi de encher os olhos.

Como destaquei na coluna ¨Que Venha o Hexa¨: abre o olho, Tite!!!

PS: Sei que poderíamos ficar horas debatendo se deveríamos ou não deixar a Copa do Mundo nos desviar de assuntos tão sérios como corrupção, economia, educação etc, mas lembrem-se, essa é uma coluna esportiva. Se quiserem debater outros assuntos, aconselho a lerem as colunas do Ricardo Amorim e do Mario Sergio Cortella.


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