Wilson Medeiros: “Coragem para desarmar a perfeição”

Sabemos das consequências de se assumir riscos e colocar em jogo nossas conquistas e qualquer zona de conforto que atingimos, mas para obter mudanças significativas, o risco é mais do que necessário

Vivemos em uma época de forte pressão para a conformidade e o fingimento, segundo Chris Guillebeau, autor de “A Arte da Não Conformidade”. O mundo externo nos apresenta diuturnamente estereótipos e padrões que atinge com poderosa força de nos asfixiar e, muitas vezes paralisar diante do medo, àqueles que decidiram desafiar o status quo por trilhar um novo caminho, fugindo do “padrão exigido” pela sociedade. Particularmente em nosso país acentua-se aos chamados padrões, o “culto à perfeição”. Diversas vezes muitos passam uma existência inteira esperando até se tornarem perfeitos para aproveitarem momentos, situações ou circunstâncias valiosas. As consequências vão desde desperdício de tempo, desprezo aos talentos e contínuo estímulo a perpetuação dos medos, da vergonha, da exposição, da incerteza. Pouca ou nenhuma reflexão, de fato, acontecem, ao se admitir e adotar um modus operandi já tão enraizado na nossa cultura. 

Hoje, vejo que necessita emergir um movimento de coragem para estimular a nação rumo a uma consciência mais apostadora, onde se imagina ser natural experimentar incertezas e riscos, e onde entendemos que a coragem em se expor é o fator de tração ou alavanca para fazer acontecer a virada de cada um. A coragem que especialmente quero me referir nesta mensagem é “A Coragem de ser Imperfeito”, livro de Brené Brown, 1º lugar na lista do The New York Times, da Universidade de Houston –  que baseada em sua experiência pessoal e em pesquisas aprofundadas, ela investiga os paradoxos da seguinte equação: nos tornamos fortes ao aceitar a nossa vulnerabilidade, e somos mais ousados quando admitimos nossos medos. 

Sabemos, evidentemente, dos desafios acerca da realidade e condições do povo brasileiro. Outrossim, sabemos das consequências de se assumir riscos e colocar em jogo nossas conquistas e qualquer zona de conforto que atingimos. Ainda assim, para se obter mudanças significativas, seja de postura, seja de condições de vida, e atingir sim um outro patamar em termos de qualidade profissional e modelo de negócios. E vale pontuar que assumir risco não é necessariamente atirar no escuro, mas reunir indícios e suposições que lhe permitam atirar sim no escuro, mas na direção mais possível de acertar o alvo. 

O que todos nós temos em comum é a verdade. O que nós sabemos tem importância, mas quem nós somos importa muito mais – e sair da conformidade se trata exatamente disso. Ser, em vez de saber, exige atitude e disposição para deixar de ser visto. Isso requer viver com ousadia, estar vulnerável. O primeiro passo dessa viagem é entender onde estamos, contra o que lutamos e aonde precisamos chegar. Segundo Brené, a jornada da vulnerabilidade não foi feita para se percorrer sozinho. Nós precisamos de apoio, de pessoas que nos ajudem na tentativa de trilhar novas maneiras de ser e que não nos julguem. Precisamos de uma mão para nos levantar quando caímos – e se você se entregar a uma vida corajosa – ainda assim levará alguns tombos. 

Por fim, a autora conclui que a maioria de nós sabe prestar ajuda, mas, quando se trata de vulnerabilidade, é preciso saber pedir ajuda também. E em termos de assistência, estamos muito mais dispostos, em geral, a oferecer ajuda do que, de fato, a pedir. A necessidade de mudança de atitude é aquilo que poderá sustentar uma nova cultura, com mais tolerância ao erro, com menos estímulo a uma perfeição impossível de se obter, com mais incentivo à comemoração por toda e qualquer vitória, seja ela pequena ou grande. E essa mudança começa por mim e por você.

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