Wilson Medeiros: “A força do nome”

Como estratégia de vendas, uma janela se abre quando você pergunta ao fundador da empresa qual foi a história, que deu origem ao nome daquela companhia

– Qual é o seu nome? É incrível como responder a essa pergunta básica, a princípio, pode parecer apenas formalidade. Ou seja, uma maneira de nos relacionarmos com outra pessoa, com base em interesses de ordem pessoal ou comercial. 

Mas existe uma função clara do nome na organização social humana: ele permite que sejamos identificados. Imagine como seria chamar ou falar de alguém sem esse recurso: “Sabe aquele rapaz com o cabelo castanho, que mora na Lapa, que é primo daquela moça da recepção?…” 

O nome, na sua linguística, sugere ainda características de comportamento, personalidade, origem social e geográfica. Portanto, está relacionado a tantos aspectos de sua personalidade, que leva a pensar que, entre os momentos decisivos de nossa vida, um dos mais importantes é aquele em que somos “nomeados”.

Alguns cientistas descobriram que certas áreas do cérebro, quando acionadas por palavras que têm forte carga emocional, são ativadas ao ouvirmos alguém nos chamar pelo nome. Esse impacto emocional do “chamado” foi demonstrado em uma pesquisa realizada em 2007 pelos cientistas Nelson Leif, da Universidade da California, e Joseph Simmons, da Universidade de Yale, na qual eles concluíram que a inicial do nome de uma pessoa está correlacionada ao seu desempenho escolar e em diversas áreas da vida. 

O costume de pronunciar o nome das pessoas, portanto, não é apenas questão de diplomacia ou gentileza, mas uma prática que muito favorece a dinâmica das tratativas  em toda a cadeia de relacionamentos,  principalmente em  abordagens de caráter comercial.

É muito comum em nossa cultura não chamarmos as pessoas pelo nome, a ponto de  observarmos com muita frequência  pessoas em apuros diante da aproximação de um suposto conhecido, que começa a conversar e, ao se despedir, você não tem a mínima ideia de quem era o interlocutor. 

Só para ilustrar, há algum tempo, na gigantesca cidade de São Paulo, entrei em um táxi e perguntei o nome do motorista, antes mesmo de indicar meu destino. O motorista abriu um sorriso, me respondeu e agradeceu em tom emocionado. Segundo ele, em mais de 25 anos de praça, jamais um passageiro havia perguntado seu nome antes de disparar a famosa frase: “Me leve para tal lugar”. Numa situação contrária, quem nunca sentiu na pele a indiferença, ao frequentar uma loja ou restaurante, e todas as vezes ser tratado como um estranho? Chega uma hora em que você se pergunta quão importante é para aquela empresa. E fatalmente vai deixar de prestigiá-la. 

Ao estender o assunto para o entendimento sobre a origem dos nomes, noto ser ainda mais universal  o desconhecimento por parte das pessoas, que não têm ideia e chegam a comentar que nem mesmo os pais se recordam das razões da escolha.

Em que pese os magníficos trabalhos desenvolvidos pelos profissionais de comunicação e marketing em potencializar grandes marcas, nem sempre se consegue compreender a essência e a filosofia que deram origem ao nome e a logomarca das empresas. 

Como estratégia de vendas, por mais difícil que seja a evolução de uma possibilidade de negócio, afirmo que uma janela se abre quando você pergunta ao fundador da empresa qual foi a história, que deu origem ao nome daquela companhia. 

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, por exemplo, queria um nome que começasse com a letra “A”, para que aparecesse primeiro na ordem alfabética. Examinando o dicionário, deparou-se com o nome do grande rio brasileiro. Bezos gosta de dizer que a dimensão do curso d’água é inspiração para o tamanho que gostaria que seu site atingisse. 

 A Nike, fundada em 1972 pelo treinador de atletismo Bill Bowerman e seu sócio, Phil Knight, teve o nome inspirado na deusa da vitória, Nice (Niké).

Em minha trajetória de vendas e de vida, tive a oportunidade de testemunhar e explorar muitas dessas histórias, nos mais diversos segmentos, portes e nacionalidades de empresas. Portanto, não hesite em chamar educadamente as pessoas ou os clientes do seu negócio pelo nome.

Também procure descobrir o que há por trás do nome das empresas com as quais estabelece relações comerciais.

 Reafirmo que o nome tem enorme importância para abrir portas na arte de se relacionar. Ao ser pronunciado, sua ressonância produz vínculo emocional e transmite enorme sentimento de pertencimento.

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