Wilson Medeiros: “O perigo da miopia financeira”

Seja você um milionário que conquistou seu patrimônio do zero, um herdeiro ou ganhador dos jogos de loterias, é bom ficar atento e cauteloso com o aumento dos dígitos no saldo bancário

Uma pesquisa realizada pela Universidade Vanderbilt, dos Estados Unidos, revela que cerca de um terço dos ganhadores de loteria vão à falência apenas alguns anos depois de receberem os primeiros milhões.

O enriquecimento súbito e a incapacidade de administração do patrimônio muitas vezes levam as pessoas ao descontrole financeiro. “Dinheiro na mão é vendaval”, já cantava o sambista Paulinho da Viola. Para depois emendar os versos:  “dinheiro na mão é solução, e solidão…”.

Seja você um milionário que conquistou seu patrimônio do zero, um herdeiro ou ganhador dos jogos de loterias, é bom ficar atento e cauteloso com o aumento dos dígitos no saldo bancário. Ter não significa que você detenha o conhecimento para lidar com altos volumes de dinheiro ou equivalência patrimonial.

Em nosso país, o que podemos chamar de “miopia financeira”  conta com o agravo caracterizado pela combinação do gap educacional e, em particular, pelo baixo domínio das disciplinas de matemática e educação financeira ,  que implica diretamente a gestão das próprias finanças.

Ter muito dinheiro na contra bancária na hora de investir significa quase estar diante de uma nova carreira: a financeira. Até mesmo gestores especializados em grandes fortunas cometem erros na hora de gerir milhões em caixa. Chegam a advertir que o risco de perda de controle e de destruição de uma fortuna é alto, principalmente quando o patrimônio partiu do zero. Já para os herdeiros, os profissionais tentam demonstrar conceitos de que uma fortuna, por maior que seja, pode acabar.

A experiência profissional, somada a dicas de especialistas, mostra que há pessoas que levam dias, outros meses, e ainda algumas que demoram anos a assimilar a educação financeira e corrigir a miopia que leva a acreditar que o saldo bancário jamais vai secar.  

No ambiente empresarial, é comum nos depararmos com acionistas e executivos que passam a vida inteira trabalhando e, para compensar o desequilíbrio familiar, acabam deixando de lado a gestão de seu patrimônio. Mais tarde, sentem os impactos dessa escolha. Vale chamar atenção para o crescente movimento de venda de patrimônio nos últimos três anos para, com as reservas financeiras, viver no exterior.

Para quem se identifica com esse perfil, minha recomendação é buscar o quanto antes a consultoria de gestores especializados, que detectam  necessidades e propõem aplicações adequadas. Essas ações são valiosas para atender conveniências de ordem financeira, sucessória e fiscal, estendendo-se a análises de ativos imobiliários e, eventualmente, a governança empresarial e familiar.

Eis 5 dicas valiosas, na voz dos gestores de grandes fortunas:

1. Não invista tudo em seu negócio. Ele pode falhar.

2. Evite os 3 maiores destruidores de riqueza: impostos, taxas e decisões emocionais.

3. Não tome decisões impulsivas relacionadas ao investir e reinvestir.

4. Faça um bom plano de aposentadoria.

5. Mantenha a discrição.

A miopia financeira pode ser avaliada  por meio de um exame minucioso da situação financeira.

A partir do diagnóstico, essas são algumas atitudes que podem ajudar a ordenar as finanças através da orientação financeira ajustada, para garantir, multiplicar e perpetuar o seu patrimônio.

Compartilhe
Escrito por
Leia mais de Wilson Medeiros

Wilson Medeiros: “Do século do EU ao século do NÓS”

A psicanálise permitiu perceber como o ser humano é dominado pelo desejo...
Read More

COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta