Bia Garbato: "Os sentimentos na era digital: o antídoto para #culpa é #f...-se"

Você tá vendo um seriado e não para de pensar: eu podia estar lendo um livro. Você tá lendo o livro: eu devia estar meditando. Está meditando: caramba! Esqueci de comprar a ração da cachorra
19/11/21 |
Bia Garbato

Culpa é uma palavra feminina. Não é à toa. Não que os homens não sintam culpa, imagina. Mas as mulheres têm um apreço especial por esse sentimento tão desagradável e, ouso dizer, inútil.

Quem disse que a gente tem que ser a Mulher Maravilha da maternidade, a Capitã Marvel das donas de casa, a Batgirl das esposas e a She-ha no trabalho? Quem falou que temos que salvar o mundo todos os dias e ainda ter o corpo de todas elas juntas?

Sentir culpa é ser cruel com a gente mesma. Por exemplo: o moleque vem correndo, tropeça no Pokémon, cai com a testa numa peça de lego, chora. Pronto, um prato cheio: #aculpaehminha. Minha filha, o que você acha que poderia ter feito? Ficar que nem a galinha pintadinha empoleirada ao lado do seu filho, sair correndo junto com ele, afastar o Pokémon do caminho e colocar uma almofada para o menino meter a testa? Tenha bom senso e se perdoe por não ter feito essa loucura.

Um cliente potencial não fechou o trabalho que você orçou. O básico: “eu devia ter cobrado menos”. Se ele tivesse fechado na hora você ia achar que devia ter cobrado mais. Então começa: será que ele não foi com minha cara? Será que foi porque eu não escrevi obrigada com três exclamações no e-mail? #culpaaaaa

Você tá vendo um seriado e não para de pensar: eu podia estar lendo um livro. Você tá lendo o livro: eu devia estar meditando. Está meditando: caramba! Esqueci de comprar a ração da cachorra. Não tem fim. #hajaculpa

Abriu a geladeira. Não tô com fome, não tô de TPM, não tô com hipoglicemia… ah, que se dane, vou comer esse bolo de morango com leite condensado e é já. Prazer intenso. Não precisa nem acabar de comer… #culpatotal

O antídoto para #culpa é #f…-se. Não é fácil de usar, mas quando conseguimos é uma sensação única. É tão libertador quanto deitar no sofá assistindo Emily em Paris (ou Velozes e Furiosos) tomando Coca normal numa quarta à tarde. Mesmo com o mundo desabando ao nosso redor.

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