A arbitrariedade sobre a cultura como ferramenta de governo

Para a nossa leitora Cris Mathias, não é recente a aversão e o desdém com que vêm sendo enredado a pauta da Cultura. Veja mais

Reinicia-se um ciclo de descontinuação das políticas culturais em âmbitos municipais. O breve ínterim de quatro anos, permite que cada administrador público execute suas pautas de políticas de governo, o que envolve muitas vezes, a descontinuidade e desconfiguração de iniciativas de melhorias em diversos setores do serviço público, o que não exime o setor cultural.

A força e a relevância das ideias, para formulação de políticas de governo, são imediatistas. Não são formuladas para dialogar com outras gestões, nem antecedentes nem sucessoras. Poucas são as vezes em que são planejadas, estruturadas e implantadas para se tornar, de fato, políticas de estado ou políticas públicas.

Não é recente a aversão e o desdém¹ com que vêm sendo enredado a pauta da Cultura, sua abordagem por parte dos administradores públicos e sua objetificação em discursos políticos em campanhas eleitorais. Como administradores públicos, ao assumirem cargos estratégicos, permitem que iniciativas e até políticas públicas sejam minimizadas e rescindidas de forma operacional?

Até quando a Cultura será vislumbrada como um dispositivo engavetado, saudosista, subordinada às pastas públicas de educação e esportes e que, em um campo abstrato, está em diálogo com as demais áreas do conhecimento, sem que de fato haja a compreensão coletiva e expandida do que ela é e representa na formação cidadã?

Na liquefação da modernidade onde tempo é commodity², o desenvolvimento de iniciativas culturais em políticas de governo são esforços obsoletos, onde a incompreensão, despreparo e o desinteresse dos administradores e gestores públicos em subestimar a cultura e sua relevância, refletem no corte de custo que prioriza a Cultura como o primeiro item da lista.

¹ Aversão= Antipatia; Desdém= distanciamento.
² Conceito transformado em produto comercializável. ‘Time is money’

Cris Mathias é pesquisadora, produtora cultural e organizadora de eventos.
Pós-graduada em Gestão de Projetos Culturais, pela Universidade de São Paulo
e formada em Tecnologia em Eventos pelo Centro Universitário Fundação Instituto de Ensino para Osasco.

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