A luta do homem para ser um tipo predileto

Você quer um homem de pegada e ao mesmo tempo sensível… Lenhador, selvagem e fofo no mesmo esqueleto, dominador e dominado, rude como na borracharia e sofisticado no ABC da poesia

E você ainda diz que não quer nada demais, que pede o mínimo possível, eu é que não sei, que não me ligo nos seus pedidos estampados nos sorrisos amarelos e nos muxoxos de rotina… Será que, depois de tantos anos, eu ainda não sou seu tipo predileto? Ou você que deseja muitos em um só volume, um só casco, um só vasilhame?

Entre continente e conteúdo, me viro, me esforço, meio Jurubeba Leão do Norte meio Romanée-Conti, o vinho dos vinhos, afinal de contas, viver é Baco, não importa a origem, a rolha, a tampa, o bouquet, o rótulo. Rio dos paradoxos dos seus quereres. Nem que eu fosse o Zelig, aquele personagem camaleônico do filme de Woody Allen, conseguiria atendê-los. Repare que eu até me viro, mas não consigo.

De nada adiantou eu decorar duas ou três coisas dos desejos das mulheres se a minha quer mais ainda do que todas as fêmeas juntas. De nada… Você quer me mudar demais a cada movimento da terra em torno do sol, não vê que a minha capacidade de metamorfose é igual à de uma barata cascuda que resiste ao inseticida e à simples ideia de aventura.

Tudo certo, você conseguiu mudar as minhas camisas sociais de firma, você me deixou com fome com aquelas comidas de chef, você me fez gostar de filmes incompreensíveis, você me tirou de um Sport X Santa Cruz na Ilha de Lost, você me fez entender a importância de coisas que eu julgava não caber no meu figurino de homem do mato. Diante dos seus gostos e desgostos, meu bem, tenho vontade até de ser bonito, mas eu não consigo, eu sempre volto atrás, como acabei de ouvir aqui na voz do inimitável cantante Wander Wildner.

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