A sociedade do aqui e agora

O modo como a sociedade tem caminhado durante as últimas décadas, no entanto, levou ao surgimento de problemas de proporções monumentais

Números, prazos, lucro. São essas as palavras que regem a vida contemporânea, a relação entre o homem e a natureza e a forma como o indivíduo convive em sociedade. Assim, o pensamento imediatista prevalece, em detrimento da consciência do coletivo, uma vez que a maioria dos grupos sociais vive sob o ideário capitalista, de acordo com o qual o essencial consiste na obtenção de lucro aqui, agora e para uso próprio.

No momento vivido atualmente pela maior parte das sociedades, tem-se observado uma presença cada vez mais intensa do que chamamos de individualismo. O ser humano tem voltado sua atenção a si mesmo e dado maior importância aos próprios interesses. Em uma esfera global, pode-se dizer que, da mesma forma, os Estados nacionais passaram, já há algum tempo, a colocar as próprias necessidades acima das consequências a longo prazo. Para atender ao modelo econômico sob o qual vivemos, tanto cidadãos quanto governos diversos optaram, há muitas décadas, por trilhar seus caminhos olhando para o progresso em si, e não para os resultados gerados a longo prazo.

O modo como a sociedade tem caminhado durante as últimas décadas, no entanto, levou ao surgimento de problemas de proporções monumentais. Os danos causados à natureza, por exemplo, fruto desse modo imediatista de se pensar, já são irreversíveis em muitos casos, e essa situação incentivou uma espécie de altruísmo retardado. As sociedades tentam, como uma última medida a ser tomada, reparar os danos causados durante todo o período em que se fez uso descontrolado dos recursos disponíveis. Entretanto, pode-se dizer que, de certa forma, trata-se de um falso altruísmo, uma vez que a preocupação com o próximo e com o futuro surgiu apenas no momento em que a própria sociedade atual se viu ameaçada por seus atos.

Conclui-se, portanto, que, no mundo contemporâneo, o altruísmo instintivo e natural deu lugar ao individualismo e, posteriormente, a um sentimento de necessidade de reparo dos prejuízos, porém visando ao benefício próprio. Talvez seja graças a raros casos de altruísmo legítimo (instituições de caridade, organizações não-governamentais que lutam por determinados objetivos em prol da coletividade, etc.) que a sociedade contemporânea e o sistema que a rege ainda não tenham entrado em colapso. Em um tempo em que o culto a si próprio e a satisfação de interesses individuais ou de minorias reinam, as chances de que haja quem desfrute das conquistas atuais são mínimas. Mas começamos a nos importar tarde demais.

Estudante de Publicidade que poderia passar a vida inteira lendo e dançando.
Acredita que não há nada que não possa ser resolvido com uma música do Coldplay
e acha que sorvete foi a melhor invenção até agora. Escreve e desenha por que não gosta de folhas em branco.

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