Amor é filme que vai melhorando com o tempo

Passado algum tempo, aquele encontro, aquele beijo aparentemente mais ou menos vai crescendo na nossa mente

Com toda licença desse mundo, hoje quero escrever sobre uma coisa muito estranha. Como se fosse aquele filme que a gente vê e gosta mas não dá tanta bola, e eis que aquele filme vai crescendo na nossa mente. Assim como aquele encontro, aquele beijo, que não foi monumental naquela hora… Passado algum tempo, como a hora do almoço, a fome de viver, essas coisas, aquele encontro, aquele beijo aparentemente mais ou menos vai crescendo na nossa vagarosa mente…

Assim são alguns filmes, assim são os encontros, os sons arrodeados, as nouvelles vagues, Irma Brown dançando um jazz no Iraque, Hellcife, o mundo ao rés do chão dos pobres cronistas carapuceiros. Marcha à ré ao tema da crônica: assim como existem filmes, peças, obras de arte que vão crescendo no juízo depois de vistos, assim é o encontro de um homem e uma mulher, por supuesto.

Sabe aquele John Cassavetes que você nem entendeu direito, uma mulher sob influência? Assim às vezes é o amor rápido, a vida ordinária, a pegação com quem você nem imaginava… Aquele filme que vai crescendo na mente e vira um grande amor de verdade. Viver é ver um filme que surpreende. Um filme que vai tomando juízo e entranhas. Aquele filme que vai crescendo na cabeça a cada minuto.

Depois daquele beijo, o blow-up que vira blow-job, o filme-cabeça que descamba e derrete o queijo do homem da meia-noite, o cidadão comum coalhado de amor por dentro. Coisa marlinda quando um simples encontro cresce na nossa cabeça no dia seguinte como um viva imaginação num queijudo muro de Paris meia oito. O grande amor é aquele que a gente não dá muito por ele no momento e ele vai crescendo de narrativa, na cabeça, qual um Hitchcock no “Terceiro Tiro” – o melhor filme do mundo todo.

O grande amor também assim se parece. Viver é o enevoado das acontecências, ver uma coisa e atirar noutra e vice-versa. Amar é um filme que vai melhorando a cada minuto depois que a gente sai da sala escura. Como se fosse um filme de Godard ou de Antonioni. Será que foi bom mesmo?, eis a senha sensorial de responsa judiando o juízo da manhã tapiocosa. Alguns encontros de nada viram grandes cinemascopes no cocuruto.

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