Autor de “O Papai é Pop”, Marcos Piangers fala sobre os desafios na formação de pessoas

Jornalista, pai de duas meninas, Anita, 12, e Aurora, 5, o autor de “O papai é pop” faz sucesso nos vídeos e nas redes sociais, onde conta a importância de ser um pai participativo

Crédito: Julio Cordeiro

Formação de pessoas: responsabilidade de quem?

Me parece claro que a responsabilidade da criação dos filhos é dos pais, e cabe a eles decidir com quem compartilhar. No entanto, percebo pais com medo de assumir esse papel de educador. Isso se deve ao despreparo e à falta de incentivo. Muitos desses pais não sabem a importância que têm na educação dos filhos e, seguidamente, terceirizam suas responsabilidades para a escola, para outras pessoas ou, o que mais me preocupa, para o uso de tecnologias.

Como educar crianças em tempos de extremismos?

O extremismo é típico do nosso tempo, dos sistemas virtuais desenvolvidos para gerar engajamento e do momento político mundial. Para educar meninos e meninas menos machistas e mais livres, é preciso ter pais e mães menos machistas e mais livres. O machismo se vence dentro de casa e nas conversas com amigos. É preciso entender que a verdadeira defesa da família se dá pelo respeito às mulheres e pela reeducação do homem.

Crianças superprotegidas

As gerações anteriores tinham ambições limitadas a respeito dos filhos: nossos avós queriam dar uma vida melhor aos nossos pais; nossos pais desejavam apenas que conseguíssemos um diploma universitário e um bom emprego. Nós somos a geração que quer que nossos filhos sejam tudo o que eles podem ser. Isso é utópico e doloroso. Sentimos culpa e não sabemos nunca se escolhemos a escola certa, se estamos estimulando corretamente ou se a alimentação está balanceada. O pai é o porta-voz da realidade. É importante que nossos filhos saibam lidar com frustrações.

A Reforma do Ensino Médio

A todos que têm me perguntado sobre a reforma, respondo que acredito que pouquíssima coisa muda se nossas escolas continuarem sucateadas e nossos pais, ausentes. Trabalho com empresas de tecnologia focadas em revolucionar sistemas de pagamento e mobilidade urbana, mas vejo poucas iniciativas focadas em revolucionar o ensino. Com o acesso irrestrito à informação por meio da tecnologia, não vejo motivos para que os custos da educação não sejam barateados e a capacitação se torne mais eficaz. Infelizmente, o que se percebe na educação formal é uma queda no rendimento de alunos em escolas públicas e privadas e um aumento no custo dessa educação ineficaz.

Investimento em educação x capacitação de professores

Meu trabalho é muito focado em aproximar pais da responsabilidade de participar na educação dos filhos. Acredito que, independentemente da educação formal, uma família atenciosa e participativa consegue conduzir as conquistas potenciais dos filhos de forma personalizada e emocionalmente segura. Esse é o lado da população. No que diz respeito ao governo, o ideal seriam investimentos focados em performance e resultado. Mas meus quase 40 anos me transformaram em um cético quanto a isso.

Crise do Ensino Superior

Acredito que a ruptura é muito maior do que simplesmente um problema pontual de falta de estrutura em faculdades. Aliado a isso, não vejo nenhuma formação estruturada para a preparação do futuro, apenas uma repetição daquilo que vimos no passado. Áreas como administração, comunicação, marketing e vendas passaram por mudanças bruscas nos últimos anos, e a formação não acompanhou essas mudanças. Talvez estejamos preparando nossos filhos para profissões do passado, e não profissões do futuro.


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