Bia Garbato: “Tentando descobrir qual é a dessa febre de beach tennis, antes que ela queime meu pé”

Todo mundo me fala que é fácil jogar “beach”. Que é igual a jogar frescobol. Aí que tá, eu não sei jogar frescobol.

Me perdoem os que jogam beach tennis. Me perdoem os que jogam beach tennis todos os dias. Por três horas seguidas. E ainda competem aos fins de semana. Eu nunca joguei beach tennis. Mas isso não me impede de me interessar pelo assunto. Cada dia fico sabendo que “perdi” mais alguém pro “beach”. Melhor saber logo qual é a dessa febre, antes que ela queime meu pé.

 Existem alguns tipos de alegria que a gente sabe que nunca sentirá na vida. Por exemplo. A alegria de uma pessoa minimalisticamente vestida, deixando lenta e vitoriosamente uma quadra de areia, com uma viseira de acrílico e óculos espelhados, para dar um merecido gole em um copo Stanley. Essa eu nunca senti.

Meu desafeto com a raquete é antigo. Mesmo paramentada com sainha e polinho Lacoste e impulsionada por uma mãe fã da Steffi Graf, eu nunca aprendi a jogar tênis. Quando criança, na escolinha do Tênis Clube, meus jovens colegas com alguma habilidade no voleio iam avançando os níveis. Eu não.

Tenho tranquilidade em prever que eu não teria condições de jogar BT (sentiu a familiaridade?), me baseando levianamente no fato de eu nunca ter acertado uma raquetada elétrica em um pernilongo. Confesso baixinho que, na minha ignorante percepção, se me dissessem que beach tennis era um ping pong gigante, eu botava fé. Todo mundo me fala que é fácil jogar “beach”. Que é igual a jogar frescobol. Aí que tá, eu não sei jogar frescobol.

 Outra coisa que eu me liguei meio retardadamente, tanto por ingenuidade quanto por não pertencer a esse mundo, é que a paquera rola solta por ali. Bar, chopinho, cigarrinho? Já era. O que pega agora é o happy hour da saúde. No lugar do álcool, endorfina. No lugar da ressaca, disposição. No lugar de roupas parceladas no shopping e cabelos escovados, shorts-saia delineando virtudes, tops tracknfieldianos revelando costas valentes, rabos de cavalo exibindo nucas com cabelinhos rebeldes e despretensiosamente molhados. Ao invés de mãos bobas durante papos bestas, touchs comemorativos no ar e, nos momentos mais efusivos, abraços melados. Quer melhor? Tinder que me desculpe, mas, em se tratando de exercitar o coração (em todos os sentidos), o beach tennis não tem para ninguém.

Além dos interessados em paquerar, o público é bem variado. Casais, pais e filhos, antigos sedentários, futuros ex-atletas que abandonaram o esporte pela carreira. Todos eles viram ali uma oportunidade perfeita para voltar à ativa e, ainda, socializar.

Às vezes passo por uma quadra (ou será um palco?) com aquela iluminação alta e intensa, seja do sol ou de holofotes. Observo personagens heroicos. Por um momento, me sinto uma reles mortal com o pescoço curvado, apreciando aquela magia desde as sombras. Definitivamente, eu não faço parte desse universo. Nem vou fazer. Mas isso não me impede de admirá-lo. Então concluo, beach tennis, você veio para ficar. Só não venha com uma raquete pra cima de mim.

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