Bob Wollheim: “Nosso imobilismo, como se explica?”

Alguns pensam que o velho “rouba mas segura o país” ainda deve prevalecer. Será mesmo?

É estranho observarmos o que está se passando no país. Por um lado, estamos passando o país a limpo, com muita gente graúda morando na sede de PF em Curitiba, com delações enormes e tenebrosas rolando, e com um novo olhar para o que pode e o que não pode…. Por outro lado, seguimos na impunidade máxima, com um presidente investigado que consegue barrar o processo no Congresso, etc. etc. etc.

Muita gente diz que o Brasil não é para amadores. Verdade. Não é mesmo. Empreendedores amadores não sobrevivem. Políticos amadores não sobrevivem. O povo amador não sobrevive. E estudiosos amadores de nossa situação também não sobrevivem. Não é nada simples nos entendermos como povo, muito menos explicar para os outros!

Por que não estamos nas ruas? Por que baixamos a pressão nas redes sociais? Por que achamos agora muitas coisas normais que não achávamos dois ou três anos atrás?

Não sei exatamente. Tenho alguns palpites, mas penso que a reflexão é importante, especialmente para aqueles que são uma elite econômica do país – uma imensa parte dos leitores da VERO – e que não podem mais não refletir e pensar a respeito.

Outro dia um amigo justificava tudo pelos problemas econômicos que uma nova mudança de governo pode causar, e eu perguntei: e as vantagens econômicas de tirarmos mais um corrupto da nossa vida? PÃN!

Outros pensam que o velho “rouba mas segura o país” ainda deve prevalecer. Será mesmo? Será que já não está na hora de superarmos isso? PÃN!

Tenho também percebido um cansaço com a crise (seja ele do tipo cansaço do papo de crise, seja da crise em si) e, consequentemente, um foco na sobrevivência, seja da empresa, do emprego, seja, em alguns casos, até da boquinha. Mais individualista impossível. PÃN!

Como um país complexo e imenso que somos, não é nada simples entender o que está se passando, mas penso que vale assim mesmo a reflexão, sob o risco de simplesmente irmos tocando o país.

Faz tempo que a gente deveria assumir as rédeas do Brasil, esquecer as desculpas de que Brasília isso ou aquilo, rever nossas idiossincrasias como as pequenas corrupções e infrações que cometemos no dia a dia e pilotar o nosso futuro sem a desculpa de que “alguém” fez algo de errado, ou deixou de fazer!

Tenho usado este espaço para essa reflexão e, sempre que posso, para uma provocação! Paramos por quê, cara pálida?

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