Carlos Júlio: “Mude o mundo aos 100 anos de idade”

Nosso colunista Carlos Júlio faz reflexão sobre a reforma da previdência. Confira!

Nos escritórios, bares, ruas e construções, é acalorada a discussão sobre a reforma da Previdência. O conceito de longevidade associado ao trabalho, no entanto, raramente se converte em tema de debate.

Ora, se a expectativa de vida aumenta a cada ano, é natural que passemos a trabalhar por mais tempo. Trata-se não de um castigo, mas de um prêmio. Afinal, queremos permanecer ativos, úteis e estimados pela sociedade. Ou não?

É evidente que condições insalubres podem encurtar a vida de  um profissional. E nisso precisamos ainda melhorar muito. Mas, o trabalho não mata. Pelo contrário. Segundo estudos científicos de prestigiadas universidades, pode esticar a vida e preservar a saúde.

Recentemente, os britânicos reverenciaram o imunologista William Frankland, que completou 105 anos e ainda segue sua rotina, atendendo a pacientes e publicando artigos.

Ainda jovem, ele se pôs a estudar medicina com afinco. O que o atraía era o mistério da enfermidade. Queria ser algo como um detetive em favor da saúde. Em 1941 ele se alistou no Royal Army Medical Corps e foi enviado a Cingapura, chegando lá sete dias antes do ataque a Pearl Harbor. No ano seguinte, foi feito prisioneiro e transferido a um campo de trabalhos forçados. Nessa rotina infernal, passaria três anos e meio.

De volta a seu país, reassumiu a carreira de médico, atuando como assistente clínico de Alexander Fleming, descobridor da penicilina. Na década seguinte, estudando alergias, deixou-se picar muitas vezes por um inseto para avaliar os danos e a reação do organismo. Depois, demonstrou que a administração de um componente proteico do pólen reduzia a gravidade dos sintomas em pacientes com febre do feno e asma.

Seu trabalho formou a base de conhecimento para estabelecer a contagem de pólen. Outros de seus estudos contribuíram decisivamente para compor a “teoria da higiene”, segundo a qual a redução da imunidade humana se deve à menor exposição a micro-organismos e alérgenos.

Frankland declarou recentemente a um repórter do Daily Mail: “Eu só não sei o que as pessoas fazem quando se aposentam aos 65 anos”.

Em 1990, segundo a Organização das Nações Unidas, o mundo contava apenas 95 mil pessoas com mais de 100 anos. Em 2015 já tinha 451 mil. Em 2050 terá, pelo menos, 3,6 milhões. Imagine, então, a quantidade de pessoas na casa dos 90, 80 ou 70 anos! Neste ano, segundo estudo do  Instituto de Pesquisa Locomotiva, baseado em dados do IBGE, o número de brasileiros com 70 anos ou mais deve chegar a 11,2 milhões, e, em 2050, a 36,6 milhões.

Não é ficção científica. Possivelmente você se tornará um desses privilegiados. Então, o que fazer? Como curtir esse bônus de vida? Se vai sobrar tempo, como você vai contribuir para mudar o mundo? Pense nisso!

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