Carlos Julio: “Na empresa: quem ajuda e quem atrapalha?”

As empresas prosperam mais quando empregam pessoas dispostas a ajudar, a dividir conhecimento e a oferecer orientação aos colegas.

Em qualquer grupo de trabalho, há sempre aquele que vive perguntando: “O que você pode fazer por mim?”. E aquele outro que nos indaga: “O que posso fazer por você?”. O primeiro é o “tomador” (ou aproveitador). O segundo é o “doador” (ou colaborador). Logicamente, trata-se da identificação da tendência predominante, pois nem todo mundo mantém o mesmo padrão de conduta durante o tempo todo.

Não faz muito tempo, o famoso psicólogo organizacional Adam Grant entrevistou 30 mil trabalhadores, de várias áreas de atividade, de diversas culturas do mundo, e chegou à conclusão de que a maior parte das pessoas oscila entre doar e tomar, num terceiro estilo denominado “adaptável”. Em geral, essas pessoas agem da seguinte forma: “Faço algo por você se você fizer algo por mim”.

O estudo revelou dados surpreendentes. Por exemplo: muitos dos profissionais de pior desempenho pertenciam à categoria dos doadores. Eram engenheiros e médicos que estavam tão ocupados fazendo favores para os outros que não tinham tempo e energia para suas próprias tarefas.

Grant encontrou um vendedor muito boa-praça, mas com desempenho sofrível. Questionado a respeito, ele respondeu: “Preocupo-me tanto com os meus clientes que nunca lhes venderia produtos de má qualidade”. Opa! Nesse momento, você pode estar pensando que ser “legal” é uma roubada, e que a boa jogada é apostar mesmo no egoísmo e passar o rolo compressor sobre o resto da turma. Equívoco seu. Emergiu da pesquisa outro dado interessante: os doadores prejudicam a si mesmos, mas tornam suas organizações melhores.

As empresas prosperam mais quando empregam pessoas dispostas a ajudar, a dividir conhecimento e a oferecer orientação aos colegas. De acordo com a avaliação, companhias com muitos doadores tendem a satisfazer os clientes, reduzir custos e ter lucros maiores. E os tomadores? Bem, eles tendem a gerar resultados de curto prazo e a crescer rápido. Porém, não se mantêm no topo.

Prepare-se para mais uma grande surpresa: os melhores desempenhos nas empresas também são dos doadores. Ora, mas como isso é possível? Eles estão nos dois extremos. Compõem a maioria dos que trazem a menor receita. No entanto, são igualmente maioria no grupo dos que geram a maior receita.

Qual é, então, a chave para aproveitar essas pessoas especiais? Primeiramente, convém realizar uma gestão que as proteja da generosidade excessiva, a fim de que não se esgotem. Depois, é preciso fazer com que auxiliem, de modo organizado, aqueles que precisam, nas horas e lugares certos. E não basta empregar, proteger e incentivar os doadores; é preciso eliminar (ou quem sabe reeducar?) os tomadores. E você, gestor: está sabendo valorizar os doadores do seu time? O que tem feito a respeito dos tomadores?

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