Carlos Júlio: “O pedaço de felicidade que o dinheiro pode trazer”

Altruísmo efetivo:: acabou a era de distribuir dinheiro para ficar de bem com Deus ou com a consciência. A ideia é investir, acompanhar e medir o tamanho do benefício produzido

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e sua esposa, Priscilla Chan, anunciaram a venda de milhões de ações da empresa nos próximos meses. O objetivo, no entanto, não é comprar uma ilha paradisíaca, construir novas instalações para a corporação ou modernizar os equipamentos de controle da rede social. A ideia é utilizar esse dinheiro em projetos externos, de alto impacto social.

A ideia, porém, não é recente. Andrew Carnegie (1835 – 1919) foi um dos mais ricos homens de seu tempo, liderando o império industrial do aço nos Estados Unidos. Pois ele passou os 18 últimos anos de sua vida simplesmente distribuindo (com critério) o dinheiro que havia acumulado.

Em um artigo de 1889, ele escreveu o “Evangelho da Riqueza”, no qual sugere que o indivíduo passe a primeira parte da vida buscando o máximo de saber possível, a segunda parte fazendo o máximo de dinheiro que puder e a terceira parte doando esses valores para as nobres causas.

É o caso de Pierre Omidyar, fundador do eBay, que, por meio da Omidyar Network, já empenhou US$ 992 milhões em organizações sem fins lucrativos e também em companhias com fins lucrativos que funcionam de modo sustentável, gerando produtos e serviços nas áreas de comunicação, educação, engajamento cidadão e inclusão financeira, entre outras.

Mas, afinal, o que pensam os gestores da instituição? Acreditam que as pessoas são naturalmente boas e capazes, mas raramente ganham reais oportunidades de mostrar suas competências. Assim é porque não são notadas nem ouvidas por quem detém o capital.

Portanto, muito mais do que simplesmente doar recursos, a turma de Omidyar aposta no chamado impact investment, ou seja, em ações afirmativas que possam impulsionar projetos e desenvolver negócios sustentáveis, habilitados a aproveitar talentos, gerar ocupações e produzir benefícios sociais e econômicos.

Outra característica dos novos “filantropos” é a ênfase em métricas de resultados. Acabou a era do distribuir dinheiro para ficar de bem com Deus ou com a própria consciência. A ideia é investir, acompanhar a iniciativa e medir o tamanho do benefício produzido.

O termo que define essa visão é “altruísmo efetivo”. Utiliza-se a razão, mais do que a emoção, na tomada de decisões. A pergunta básica é: onde o meu dinheiro pode gerar maior e melhor impacto?

O cofundador do Facebook Dustin Moskovitz e sua mulher, Cari Tuna, somam nessas fileiras. Estão investindo, por exemplo, em projetos menos badalados, como o de suprir a deficiência de iodo em populações de países em desenvolvimento.

No Brasil, cresce a atenção aos projetos de “valor compartilhado”. Trata-se de um conceito que vai além da responsabilidade social. O objetivo é criar valor e buscar resultados em ações interconectadas, multiplicadoras de benefícios econômicos e sociais.

Segue por aí a nova onda do capitalismo, conforme previ em meu livro “A Economia do Cedro”. Esse esforço planejado traz, sim, uma parte da felicidade! O resto é com você.


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