Carlos Júlio: “Os negócios podem salvar nosso mundo”

O lucro assegura investimentos, o fortalecimento de negócios, a geração de empregos e a elevação do padrão de vida

Está na mídia. Dois jovens empreendedores, Samuel Toaldo e Eugen Braun, resolveram criar um aplicativo para que amantes do futebol contratem goleiros de ocasião. A ideia foi apresentada na Campus Party e pouca gente considerou que pudesse resultar em algum lucro. No programa Shark Tank Brasil, do canal Sony, no entanto, a startup obteve um primeiro aporte de capital, no valor de R$ 250 mil.

Daí para frente, cresceu e iniciou um processo de consolidação. Hoje são mais de 300 goleiros cadastrados em todo o Brasil, que atuam em 550 jogos a cada mês. O mais interessante, no entanto, é que hoje a empresa auxilia uma escola de goleiros em Mali, na África, e se converteu em apoiadora da seleção feminina de futebol de salão para surdos.

A experiência nos leva a uma discussão mais profunda sobre o papel dos negócios na construção de um
mundo melhor. Em anos recentes, difundiu-se em parte da sociedade uma visão negativa (e muito equivocada) sobre a atividade empresarial. Segundo esse modelo de pensamento, os empresários são gananciosos, destroem impunemente o meio ambiente e não estão nada interessados em promover avanços nos processos de promoção social.

Em seu livro “Homo Deus, uma breve história do amanhã”, o historiador e escritor Yuval Noah Harari
diverge dessa avaliação, mesmo apontando distorções na distribuição da riqueza humana. Segundo Harari, o capitalismo ajudou na superação da fome, na extinção de conflitos e na eliminação das pestes em boa parte do mundo.

Mesmo com suas imperfeições, o sistema garantiu a possibilidade de um ganha-ganha, no qual o lucro
assegura investimentos, o fortalecimento de negócios, a geração de empregos e a elevação do padrão de vida. De acordo com ele, à medida que a comunidade humana se multiplica, é preciso que a economia cresça para que, ao menos, continuemos como estamos.

Minhas ideias e pesquisas sobre o assunto, aliás, estão reunidas no livro “A Economia do Cedro”, uma
visão abrangente sobre os negócios no contexto da responsabilidade e da sustentabilidade. O mote é simples: sabemos dos graves problemas enfrentados por nós, mas é certo que, trabalhando juntos, podemos superá-los.

E avançaremos mais rapidamente se pudermos reduzir a interferência do Estado, aumentar a produtividade, utilizar os recursos de forma sustentável, gerar lucro, ampliar mercados, empregar pessoas, difundir conhecimento e, assim, constituir valor compartilhado. Não é tarefa fácil, mas é tarefa urgente. E a solução depende, sim, também de você.

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