Carlos Júlio: “Quem tem medo da máquina?”

O que realmente sei é que muitas ou a maioria das inovações facilitam nossas vidas e dou a elas espaço no meu dia a dia

Máquinas são burras e rápidas, seres humanos são lentos e inteligentes. Esse sempre foi o pressuposto básico da busca do homem pela automação. Poderíamos dizer que também está na raiz dos esforços da tecnologia, eliminar o trabalho repetitivo, aquele em que não é exigido do homem – aqui termo usado no seu sentido genérico de ser humano, portanto, homens e mulheres, discernimento, criatividade ou adaptabilidade.

E assim caminhou a humanidade até chegarmos à máquina que aprende (machine learning) e a propalada Inteligência Artificial.

Com seus algoritmos cada vez mais rápidos e precisos, muito se tem avançada nas linhas de produção, nos negócios, na medicina e, mais recentemente, no nosso cotidiano. Os algoritmos cada vez mais tomam decisões no nosso lugar.  Parece futurologia, mas não é. Quando você deixa o Waze definir o seu caminho de volta do trabalho, delegou à máquina decisões do seu trajeto que te manda virar à esquerda. E olha só, sempre que resolvo desafiar o Waze e não obedecer, acabo num tremendo congestionamento.

Quando a Netflix te oferece o menu de filmes e séries para o final de semana ou quando a Amazon te indica que livro comprar baseado nas suas compras passadas, está fazendo a análise por você.

E aí, pensamos, ou deveríamos pensar, até onde isso irá nos levar? Até onde quero deixar ser levado pela vida? ¨Deixa a vida me levar, vida leva eu..¨ será?

O que realmente sei é que muitas ou a maioria dessas inovações facilitam nossas vidas e dou a elas espaço no meu dia a dia. O que ainda não sei é se esse excesso de máquinas e algoritmos não irão mecanizar em excesso nossas vidas ou, ainda com um medo incrível, será que iremos humanizar nossas máquinas?

Muitas perguntas, poucas respostas?

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