Waltinho Nascimento: “Como os Estados Unidos têm apenas 5 ligas esportivas profissionais?”

Resolvi entender o assunto e rapidamente uma informação óbvia veio à tona: existe uma clara distinção entre o investimento público e privado no esporte.

Ouvi do coordenador do grupo de estudo que faço sobre Gestão do Esporte na USP um dado que não me saiu da cabeça por alguns dias: nos EUA só existem 5 ligas de esporte profissional – Futebol Americano, Basquete, Beisebol, Futebol e Hóquei no gelo.

Por mais óbvio que essa informação pareça, eu nunca havia atentado para ela. Como um país com desempenho tão dominante em Olimpíadas não possui mais ligas esportivas profissionais?

Resolvi entender um pouco mais do assunto e rapidamente uma outra informação que também parece óbvia veio à tona: por lá existe uma clara distinção entre o investimento público e privado no esporte. Mais do que isso, o governo investe no esporte pensando no espaço público, e não apenas no desempenho de alto rendimento, como vimos nos megaeventos dos últimos anos aqui no Brasil. No país do Tio Sam o esporte profissional fica por conta da esfera privada.

Em um país como o nosso, é óbvio que investimento público em esporte de alto rendimento acaba se tornando um convite à corrupção. Foi assim na Copa, foi assim nas Olimpíadas e é assim no futebol nacional também – confira 11 curiosidades sobre o futebol que talvez você não conheça.

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, chegou a trazer um pouco desse debate em sua gestão na cidade com ideias de revitalização de praças e construção de ciclovias, por exemplo. Mas infelizmente, como tudo na política brasileira, o debate que deveria ser sobre saúde, cultura, prática esportiva e o melhor uso dos espaços públicos e da mobilidade urbana, ganhou caráter ideológico. Hoje encontramos ciclovias em subidas tão íngremes que nem o Lance Armstrong dopado conseguiria escalar.

Muito se fala por aqui em época de Olimpíadas que nós não investimos no esporte, mas seria uma boa ideia órgãos públicos investirem em esportes de alto rendimento? Como vimos, os EUA conseguem atingir grandes resultados olímpicos sem depender necessariamente de investimentos públicos astronômicos. O gasto do governo por lá está mais atrelado ao incentivo à cultura de prática esportiva nas escolas e universidades, cabendo a esfera privada saber rentabilizar, e transformar um jovem aspirante a profissional em um Lebron James, fenômeno esportivo e midiático.

Claro que nesse modelo alguns esportes perdem espaço. Como a esgrima brasileira vai se sustentar sem investimento público? A resposta me parece óbvia também: infelizmente nem todos os esportes poderão ter representatividade. Cada um terá que buscar sua sobrevivência no mercado, com suas federações.

Nem lá onde se fazem os maiores medalhistas da história, todos esportes têm espaço ou uma liga própria.

Imaginem que legal seria acordar cedo, ir de bike pela ciclovia até o metrô, chegar na faculdade onde se recebe bolsa pela prática esportiva, e quem sabe ter a chance de se tornar um atleta profissional?

Isso pode acontecer por aqui? Sonhar não faz mal a ninguém.


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