Estela Renner – O começo da vida

Tenho 42 anos de idade e sou diretora e roteirista. Morei durante sete anos nos Estados Unidos, onde fiz Mestrado em Motion Pictures e…

Tenho 42 anos de idade e sou diretora e roteirista. Morei durante sete anos nos Estados Unidos, onde fiz Mestrado em Motion Pictures e trabalhei escrevendo e dirigindo Sitcoms. De volta ao Brasil, me dediquei ao trabalho de ajudar a promover mudanças sociais e ambientais através de obras audiovisuais.

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Para a diretora e roteirista Estela Renner, a primeira infância das crianças é responsabilidade de toda a sociedade, e não só dos pais. E é o que ela mostra no documentário “O Começo da Vida”, lançado neste ano. Confira a entrevista exclusiva!

Amor, carinho e atenção. É só disso que as crianças precisam em seus primeiros anos de vida. A teoria é de Estela Renner, diretora, roteirista e sócia da Maria Farinha Filmes, que lançou neste ano o documentário “O Começo da Vida”. O filme percorre os quatro cantos do mundo para mostrar a importância dos seis primeiros anos de vida na formação de cada pessoa. “Uma criança não cresce sozinha, ela é feita das relações humanas. Ela nasce com todo o potencial, mas, se não há pessoas ao seu redor para proporcionar um ambiente seguro e afetuoso, essa criança não tem como descobrir seu melhor lado”, conta Estela, mãe de três. A diretora falou com especialistas e famílias do Brasil, Estados Unidos, Itália, China, Índia, Canadá, Argentina, Quênia e França e chegou a uma conclusão: a maneira como você trata um bebê – seu filho ou do seu vizinho – pode influenciar e muito no seu futuro.

 

Como surgiu a ideia de fazer esse documentário?

Recebemos um convite da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal – que atua para promover o desenvolvimento integral da criança –, para fazermos um filme sobre a primeira infância. Depois de seis meses de muita pesquisa e muita atenção, encontramos um recorte neste assunto que acreditamos ser uma possível ferramenta de transformação. Também contamos com o apoio do Instituto Alana, Bernard Van Leer Foundation e UNICEF.

 

Você acredita que todo mundo, independente da situação em que vive, consegue dar o que uma criança precisa?

As únicas coisas que uma criança precisa em seus primeiros anos são amor, carinho e atenção. É claro que dependendo das condições de vida de cada indivíduo, de cada família, esse tipo de cuidado pode não ser prioridade, mas todos nós partilhamos dos mesmos sentimentos. Então, sim, acho que todos conseguem dar isso as crianças.

 

O filme mostra que as crianças são responsabilidade da sociedade e não só dos pais. De que forma um cidadão comum pode ajudar nisso?

Dando atenção, ouvindo as crianças, permitindo que elas explorem todos os sons, cores, sabores, cheiros ao seu redor. Os amigos, vizinhos e familiares podem auxiliar os pais neste cuidado de se fazerem presentes durante o crescimento de um bebê. Uma criança não cresce sozinha, ela é feita das relações humanas. Ela nasce com todo o potencial, mas, se não há pessoas ao seu redor para proporcionar um ambiente seguro e afetuoso, essa criança não tem como descobrir seu melhor lado.

 

Você acha que a realidade das crianças no mundo que não têm a primeira infância ideal pode mudar?

Eu acredito que sim, mas para isso é preciso um maior engajamento sobre o assunto. Meu desejo é que o filme atinja cuidadores, políticos, educadores e médicos para que a nossa mensagem chegue ao maior número de pessoas possível.

 

Qual mensagem você gostaria de estar passando em “O Começo da Vida”?

Na primeira infância, tudo é um experimento para a criança, ela é como um cientista que cria estatísticas. Quando joga uma colher no chão, por exemplo, esse objeto faz barulho e causa reação nos pais; ela joga novamente para ver se os pais vão ter a mesma reação, isso mostra que ela está aprendendo nesse processo. Depois do filme, eu passei a respeitar mais o tempo de cada criança. E espero que “O Começo da Vida” ajude a informar aos pais sobre a importância dos primeiros anos. Que eles e a sociedade consigam dar atenção a essa fase tão importante.

 

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