Há vagas por aqui

A região de Alphaville conta apenas com empresas de serviços e vagas operacionais? Ou há grandes multinacionais e companhias, com horários flexíveis, à espera de executivos de todos os tipos?

Muita gente que mora por aqui ainda vai a São Paulo todos os dias para trabalhar. Mas por que isso acontece? A região não oferece vagas com a qualidade desejada e na quantidade necessária para a população local? Nossa redação foi conversar com empresas de recrutamento e seleção, grandes companhias geradoras de emprego, poder público e moradores para entender as razões. As respostas mostram que o cenário está mudando.

A cidade de Barueri conta, atualmente, com 42.492 empresas ativas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Tributação (IBPT). Se somarmos com os números da vizinha Santana de Parnaíba, o total vai para cerca de 70 mil companhias – por lá, são mais 30.309. Boa parte dessas empresas está localizada nos bairros de Alphaville e Tamboré, o que, de cara, já faz com que a região se destaque como um dos maiores polos empresariais do país.

19. EmpregadorasE se antes as empresas de serviços dominavam a região, hoje companhias brasileiras e multinacionais de outras áreas também estão aqui. E o mais importante: têm vagas disponíveis – e não apenas para cargos operacionais. A consultoria Michael Page, especialista no recrutamento de cargos de média e alta gerência, por exemplo, já inseriu milhares de profissionais nas empresas da região. “Nosso foco, desde que começamos a atuar aqui, é justamente mapear os profissionais moradores. Já imaginávamos e, quando iniciamos o trabalho, comprovamos que eles são muito bem-formados e falam mais de um idioma, mas boa parte ainda trabalha em São Paulo, enquanto há cada vez mais boas oportunidades para esses executivos ao lado de casa”, explica Felipe Avena, consultor da empresa.

Para André Godoy, sócio-diretor da consultoria de recrutamento executivo EXEC, unir um bom desafio profissional e um salário alto em uma empresa perto de casa não é uma questão tão simples de equalizar. Mas ele também reforça que a região é privilegiada: “Temos grandes multinacionais migrando para Alphaville, então, as oportunidades estão cada vez maiores para esse perfil”, explica Godoy.

O executivo Carlos Motta, de 42 anos, que mora e trabalha em Alphaville, é um dos que foram descobertos por headhunters da região, e mudou de vida quando passou a trabalhar perto de casa. “Quando trabalhava em São Paulo, levava até quatro horas só no trajeto. Hoje posso levar e buscar meus filhos no colégio e, de vez em quando, almoço em casa. Posso ficar até um pouco mais no trabalho, porque em quinze minutos estarei em casa. A qualidade de vida que ganhei foi enorme!”, conta.

No entanto, nem todos os profissionais com boa formação na região têm a mesma sorte. A jornalista Camila Lacreta, de 36 anos, que mora em Alphaville há 33, conta que trabalha em São Paulo apenas por falta de oportunidades. “Já procurei, mas não encontrei. Gostaria muito de trabalhar aqui, para passar mais tempo com meus filhos; teria mais qualidade de vida e economizaria muito em transporte”, diz. Mas lembra: “Pra mim, a única vantagem de São Paulo é que, na minha área, as grandes empresas estão lá, e eles pagam melhor”.

11. Aspas_Carlos

Para Bárbara Gianetti, sócia do escritório de Barueri do Great Place to Work (GPTW), companhia global de pesquisa que divulga o ranking das melhores empresas para se trabalhar, as ferramentas digitais poderiam ser muito mais utilizadas para anunciar oportunidades de emprego; no entanto, ela acredita que as pessoas ainda não conhecem as vagas da região. “Sabemos que há mão de obra qualificada aqui, mas as empresas sempre se queixam de que não conseguem chegar até ela. Nosso objetivo com a lista é justamente destacar as melhores empresas da região para atrair a atenção dos candidatos. Ou seja, fazer com que as pessoas percebam que na região tem ótimas opções para trabalhar. As empresas que são premiadas e têm o selo GPTW atraem o dobro de currículos do que aquelas que não têm”, diz. Outro ponto de atenção, de acordo com a executiva, é a falta de parcerias com universidades. “Em São Paulo, há muitos convênios entre empresas e faculdades. Isso poderia ajudar muito”, relata Bárbara.

10. Aspas_Camila

*A pedido da VERO, a empresa de pesquisa MindMiners levantou com moradores da região as vantagens e desvantagens de trabalhar aqui e em São Paulo. Para a realização dessa pesquisa, foram consultados 224 moradores da região por meio do aplicativo MeSeems, no período de 8 a 13 de fevereiro.

Algumas recém-chegadas

Genilda Saji, diretora de RH da Multiplus – companhia que está no bairro há pouco mais de um ano –, concorda que as parcerias com as universidades ainda são um ponto a melhorar, mas destaca que já percebe uma mudança no perfil dos moradores da região. “Trabalhei em Alphaville dez anos atrás. Naquela época, as pessoas só buscavam trabalho em São Paulo. Agora os filhos da primeira geração de moradores, que foi formada por executivos de grandes empresas, estudaram nas melhores escolas da região e estão cursando faculdade, já buscam empregos por aqui. Dos nossos 26 estagiários, pelo menos metade é daqui”, conta.

A empresa mantém ainda um programa de menor aprendiz que busca jovens exclusivamente da região. “Esses garotos vão alimentar a base da nossa pirâmide. No futuro, teremos ainda mais gente daqui”, diz. De acordo com o GPTW, 30% dos diretores das empresas pesquisadas fizeram carreira na própria companhia, levando uma média de nove anos para atingir a posição. Ou seja, para quem está começando agora, iniciar numa empresa daqui pode ser um bom ponto de partida. A Ricoh, fabricante de impressoras e projetores, acaba de chegar e já vê ganhos na mudança – feita para unir duas operações que estavam em São Paulo e Jundiaí.

Fabíola Tommasi, gerente de RH da empresa, conta que os incentivos ficais foram importantes, mas os valores mais baixos de aluguel compensaram o fato de o custo com os deslocamentos ter aumentado um pouco. “Em resumo, a companhia implantou novidades para os colaboradores, como salas de treinamento e quick massage, flexibilizou os horários e, ainda assim, conseguimos identificar aumento da produtividade e uma economia de pelo menos 40% nos custos gerais”, conta Fabíola.

A companhia buscou manter os profissionais estratégicos mesmo com a mudança, mas, para as novas vagas, pretende buscar candidatos da região. “Já temos dez vagas operacionais abertas”, conta. No Buscapé, por aqui há pouco mais de seis meses, o cenário foi parecido. “Quando nos mudamos, fizemos uma série de ações para trazer junto toda a equipe. Dos que não vieram, contratamos da região. E, para nossa surpresa, foi incrivelmente fácil achar profissionais competentes. Achávamos que seria uma dificuldade, mas não foi”, explica a diretora de gestão de pessoas do grupo, Claudia Palaikis. “Só com o que ganhamos com o incentivo fiscal pudemos trazer muitos benefícios para a equipe. Mas, pra gente, a principal vantagem mesmo é estar em um bairro com jeitinho de interior, onde podemos caminhar na calçada falando no celular tranquilamente. Em São Paulo já estava difícil fazer isso”, conta Claudia.

Moradora da região há dois anos, Noara Pozzer, de 31, concorda com o clima gostoso de Alphaville. Especialista em comunicação e marketing, ela se mudou para ficar mais próxima do seu local de trabalho. “Hoje demoro menos de dez minutos no meu trajeto casa-trabalho. Saio tarde do escritório e, mesmo assim, ainda tenho tempo de dar uma passadinha no supermercado, treinar na academia e até dar uma voltinha no shopping. É muito bom poder marcar jantares com amigos durante a semana, correr na rua sem medo”, conta Noara.

12. Aspas_Noara

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