Helio Contador: “Como a música ativa nosso cérebro”

Uma playlist de “músicas zen” pode nos acalmar na hora de dormir ou nos ajudar a relaxar depois de um dia difícil no trabalho. Mas a música vai além disso!

Sempre tive uma enorme curiosidade em entender a influência da música no nosso cérebro, trazendo memórias e emoções de uma forma instantânea e inconsciente. Que poder incontrolável é esse?

Tanto é que, um dos meus sonhos era estudar esse assunto mais profundamente, a ponto de fazer uma pós-graduação em Musicoterapia, depois de encerrado o ciclo intempestivo da minha vida executiva.

Sou um leitor assíduo dos artigos da Neuroscience News e outras fontes importantes, todas elas sugerindo que a música tem a capacidade de impactar-nos de uma tal maneira que nenhuma outra forma de arte pode fazer. Nos leva a buscar algo profundo dentro de nós que nos permita viajar instantaneamente no tempo e ser transportado para lugares e épocas específicas de nossa vida. Nós podemos realmente “experienciar” quem nós fomos através da música. Fica a pergunta: qual é a trilha sonora da sua vida? Como é possível uma determinada música mexer tanto com as suas emoções?

O ser humano foi programado para apreciar a música, uma vez que ela ativa o sistema de recompensa do cérebro, aquela parte que nos sinaliza se algo é importante, valioso ou necessário para a sobrevivência.

Quando ouvimos uma música que gostamos, nosso cérebro libera um neurotransmissor chamado dopamina e experimentamos uma elevação natural. É o mesmo processo de prazer que acontece quando comemos aquela comida deliciosa ou fazemos sexo. A música é uma das ferramentas mais poderosas para a auto-expressão que possuímos, pois nos permite pensar e sentir coisas de forma inconsciente. Tem o poder de expandir nosso alcance cognitivo, o poder de inspirar e de se conectar. E ainda tem o poder de curar!

Uma playlist de “músicas zen “, por exemplo, pode nos acalmar na hora de dormir ou nos ajudar a relaxar depois de um dia difícil no trabalho. Mas a música vai além disso e pode interferir na nossa parte fisiológica.

Segundo um artigo dos autores Tony Robbins e Kerry Song, num estudo da Universidade de Londres, pesquisadores examinaram pacientes que estavam prestes a se submeter a uma cirurgia e monitoraram o impacto que a música teve em seus níveis de estresse. Eles descobriram que ouvir música antes, durante e após o procedimento cirúrgico reduziu a dor das pessoas, a ansiedade e minimizou a necessidade de sedativos.

A música também está sendo usada para ajudar pacientes com déficits neurológicos – leia também: “A liderança sob a ótica da neurociência”. . Aqueles que se recuperam de derrame ou lesão cerebral traumática, por exemplo, perdem a capacidade de falar quando parte da região esquerda do cérebro foi danificada. Mas como a dinâmica da música é basicamente uma função do lado direito do cérebro, o ato de cantar pode estimular a recuperação das palavras e assim melhorar a qualidade de vida desses pacientes.

Justamente essa influência da música na recuperação da saúde e qualidade de vida das pessoas é que me fez definir o tema do trabalho de conclusão do meu curso de pós-graduação (TCC) na área da musicoterapia, voltada para o tratamento do câncer infantil.

A própria Programação Neurolinguística utiliza da música como parte de seus processos para alterar nossos estados mentais, estimulando nossa percepção através da variação dos estilos das músicas ou encorajando nossa criatividade através da diversificação dos ritmos. Até o uso do silêncio é fundamental para ouvirmos nossos sons internos mais profundos!

Um outro aspecto interessante é que a música não entra no nosso cérebro somente através do sistema auditivo e visual, mas também através dos sensores que temos no corpo inteiro, que captam as energias e vibrações das melodias. Uma prova recente disso eu puder ver num programa de talentos musicais americano onde uma candidata com deficiência auditiva, Mandy Harvey, se apresentou tocando violão e cantando. Ela começou a perder a audição ainda jovem, por uma doença degenerativa, até ficar totalmente surda. Mas ela canta de forma maravilhosa, muito afinada e sem perder o ritmo da melodia. E isso só é possível pela sensibilidade que ela desenvolveu em acompanhar o ritmo da música através da percussão dos músicos.

Nem sempre a influência da música é positiva nas nossas emoções; ela também tem o poder de nos irritar profundamente, dependendo do que estamos ouvindo (volume e tipo de música). Quem nunca teve aquele vizinho inconveniente que gosta de dar festas até de madrugada com a música (normalmente aquela que você detesta) no último volume, deixando seus nervos à flor da pele? A música, usada para o mal, também foi utilizada durante os períodos de guerra para torturar prisioneiros inimigos.

Ou seja, tem muito assunto ainda a ser abordado, entre eles podemos falar da influência cientificamente comprovada da música no aprendizado das crianças, no desenvolvimento dos bebês ainda na barriga da mãe, na melhora de qualidade de vida dos idosos e muito mais. Mas quem sabe fica para uma próxima oportunidade.

Se gostaram do artigo e do assunto, ou se quiserem incluir algum outro tema relacionado, deixem seus comentários. Um abraço e até o próximo artigo.


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