Helio Contador: “Inteligência espiritual, já ouviu falar?”

Você tem QI de ostra… já ouviram esse termo pejorativo no meio de uma discussão quando alguém quer ofender o outro?

Isso quer dizer que essa pessoa que está sendo atacada não tem inteligência nenhuma e que até uma ostra é mais esperta que ela. Significa que a cabeça da pessoa é totalmente fechada e o nível de inteligência é simplesmente igual zero! Acho melhor evitar isso!

Muito se fala sobre o QI (quociente de inteligência) ou do QE (quociente de inteligência emocional), mas será que eles representam alguma coisa realmente útil na sociedade de hoje?

O termo QI foi criado na Alemanha pelo psicólogo Willian Stern, em 1912, para medir a capacidade de crianças utilizando alguns métodos já criados por outros dois cientistas: Alfred Binet e Théodore Simon, batizado de teste Binet-Simon.

Somente anos depois a técnica de avaliação foi adaptada para adultos. Hoje em dia, o teste de QI mais popular é o Standard Progressive Matrices (SPM), que em português significa Matrizes Progressivas de Raven, também conhecido no Brasil por Escala Geral. O SPM foi criado e publicado em 1938 por John Carlyle Raven, e nele são apresentadas algumas sequências de figuras que possuem um padrão lógico e a pessoa que realiza o teste precisa completá-las, de acordo com as alternativas. Se você quiser fazer o teste, existem várias opções na internet.

Já o QE foi trazido em 1995 pelo psicólogo e neurocientista Daniel Goleman através de seu livro Inteligência Emocional – Porque ela pode ser mais importante que o QI. Nesse livro ele destaca que a consciência das emoções é fator essencial para o desenvolvimento da inteligência das pessoas. Como pesquisador, ele estudou vários casos que mostram que a incapacidade de lidar com as emoções pode atrapalhar no desenvolvimento escolar, acabar com carreiras profissionais e até destruir vidas. Não é a sorte quem decide o sucesso ou fracasso das pessoas, mas sim o esforço em se autoconhecer e trabalhar nos circuitos cerebrais para que as emoções sejam utilizadas positivamente em seu favor.

Tudo isso sem falar das inteligências múltiplas definidas por Howard Gardner, psicólogo americano e professor da Universidade de Harvard, que são: Linguística, Musical, Lógico-Matemática, Espacial, Corporal-Cinestésica, Intra e Interpessoal, Natural e Existencial.

E a Inteligência Espiritual, onde entra nessa história? Trata-se de um tipo de inteligência que transcende o espaço do corpo e da mente, algo relacionado ao desenvolvimento dos valores éticos, culturais e morais que nos direcionam a buscar um propósito de vida, uma necessidade humana cada vez mais em evidência. Sem ela não é possível achar o caminho da felicidade, tão cobiçado nos dias de hoje.

Se estiverem se perguntando qual a sigla para definir essa inteligência, podemos adotar QS (do inglês Spiritual) usado como título do livro QS – Inteligência Espiritual, escrito pela física e filósofa americana Danah Zohar e Ian Marshall. Segundo Danah, existem 10 qualidades essenciais comuns às pessoas espiritualmente inteligentes, que são:

1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo.

2. São levadas por valores e são idealistas.

3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade.

4. São holísticas.

5. Celebram a diversidade.

6. Têm independência.

7. Perguntam sempre “por quê?”

8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo.

9. Têm espontaneidade.

10.Têm compaixão.

Ser inteligente, espiritualmente, é mais do que ter bons conhecimentos intelectuais e culturais. Está acima de saber gerenciar e usar suas emoções de uma forma mais inteligente e garante ao indivíduo a capacidade de ser flexível, propicia um grau elevado de autopercepção e a capacidade de enfrentar e usar o sofrimento para transcender a dor. É saber buscar, lá no fundo da alma, um significado de prazer e de viver em paz e harmonia.

Depois de tudo isso, fica a pergunta ao leitor: qual tipo de inteligência você quer desenvolver e acha mais importante nos dias de hoje?

Um abraço e até o próximo artigo.

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