Helio Contador: “Meu aluno é um robô”

A Inteligência Artificial está evoluindo numa velocidade exponencial e está cada vez mais presente no dia a dia de uma forma irreversível, gostemos ou não, queiramos ou não

Olá, pessoal, gostaria de apresentar minha nova profissão: professor de robôs… Oi? Num vídeo postado pela Furhat Robotics e mostrado no World Economic Forum apresentou-se o robô Tengai, de aparência feminina, que está sendo usado para entrevistar candidatos a vagas de trabalho. Ele faz as mesmas perguntas e na mesma ordem para todos os candidatos, sem nenhum bate-papo preliminar ou após a entrevista. O resultado é transcrito e enviado para o recrutador que faz as análises apropriadas e, sem nenhum viés discriminatório, identifica os melhores candidatos que passarão para a próxima etapa do processo. O objetivo é eliminar preconceitos e estimular a diversidade nas contratações.

Todos nós humanos carregamos preferências, vieses, discriminações e julgamentos em nossos pensamentos e atitudes. A Neurociência comprova isso mostrando que somos movidos, principalmente, pelo nosso inconsciente. Ele é formado, desde o nascimento, pelas nossas crenças, valores e vivências adquiridos e influenciados por meio das interações com a família, na escola, com amigos, no trabalho, nos grupos sociais e pela mídia em geral. Será que o robô Tengai pode minimizar ou até eliminar essa influência para com os candidatos a um novo emprego?

O fato é que a Inteligência Artificial está evoluindo numa velocidade exponencial e está cada vez mais presente no dia a dia de uma forma irreversível, gostemos ou não, queiramos ou não. Numa reportagem do jornal O Estado de S.Paulo do dia 17 de março, o assunto foi sobre profissionais que treinam robôs para conversas online de empresas, o chamado chatbot, trabalho esse que envolve o domínio do idioma e da área de mercado em questão. Esse tipo de trabalho está crescendo bastante, uma vez que essa ferramenta será cada vez mais comum nas conversas entre empresas e clientes, de uma forma cada vez mais simpática e humanizada. Está ficando difícil identificarmos se estamos falando com uma pessoa humana ou um robô, tal a evolução do aprendizado de conteúdo das máquinas inteligentes. Aprender as variações de vocabulário e os sotaques regionais são alguns dos desafios que estão sendo vencidos a medida em que se os treinadores de conteúdo avaliam a forma mais comum das pessoas fazerem suas perguntas e questionamentos, a partir de erros e acertos.

O mais interessante nessa conversa é que, com essas máquinas de inteligência artificial, nosso cérebro não consegue distinguir claramente se estamos dialogando com um robô ou um ser humano, ou mesmo se a situação é virtual ou real. Lembram do filme ELA, onde o protagonista se apaixona por uma voz feminina de um software no seu celular, que pesquisa e aprende constantemente à medida em que as perguntas lhe são feitas, buscando informações num banco de dados infindável. Imagine que, se isso ocorre com uma voz saindo do telefone, como será com o avanço cada vez maior dos androides que parecem seres humanos e podem ser tocados, inclusive simulando reações emocionais nas expressões faciais ou mesmo um arrepiar da pele!

Basta lembrar também nossas reações físicas e emocionais com os jogos de realidade virtual, quando nossas sensações e reações comportamentais são as mesmas de um jogo real. É a ficção científica se tornando realidade, onde tudo parece ser verdade.

É óbvio que esse assunto não se esgota por aqui. Na verdade, é apenas um “aperitivo” para estimular e provocar o leitor a se interessar em pesquisar mais sobre esses temas que estão invadindo nossas vidas. Cabe a cada um de nós decidir como vamos nos comportar perante essas situações, que podem representar oportunidades ou ameaças.

Bom, mas isso fica para um próximo artigo.

Um abraço.

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