Helio Contador: “Mindfulness – a atenção no aqui e no agora”

Nossa mente tem o poder de viajar no tempo, tanto para o passado quanto para o futuro, por isso temos tanta dificuldade em manter nossa atenção no momento presente

Quanta dificuldade para se concentrar nas coisas do aqui e agora. Isso é meio louco de se pensar, mas o fato de estarmos isolados socialmente e muitos se sentirem solitários, mesmo que esteja em home office, nem sempre facilita nosso grau de foco e concentração. Nossa mente tem o poder de viajar no tempo, tanto para o passado quanto para o futuro, por isso temos tanta dificuldade em manter nossa atenção no momento presente.

Mesmo estando na frente de um tablet ou computador, participando de uma vídeo conferência ou webinario, nossa mente tende a se soltar rapidamente, dando atenção aos diversos pensamentos que aparecem sem pedir licença, tipo: o que vai ter para o almoço, preciso pagar o boleto que vence hoje, que horas vai ser o intervalo, amanhã preciso acordar mais cedo para ir ao supermercado e logo depois tem a aula virtual do meu filho. Assim como esses pensamentos, tantos outros vão surgindo para divagar e tirar nossa concentração. Isso sem falar nas outras coisas que fazemos simultaneamente, às vezes sem nos dar conta. Você já teve a experiência de estar conversando com alguém ao telefone, e essa pessoa demora para responder algo ou fica buscando palavras para serem ditas, ou seja, ela está nitidamente fazendo outras coisas enquanto fala com você.

Ficar muito tempo sentado implica ainda em dores musculares em várias partes do corpo, que pioram a situação da concentração, uma vez que esses sinais são enviados para o nosso cérebro que tende a reagir de alguma forma para mudar essa situação, desviando nosso foco e atenção.

A inspiração para este artigo veio de uma aula sobre Mindfulness: o poder da presença, que assisti recentemente da Drª Tamara A. Russel, autora e professora do King’s College de Londres.

O conceito de Mindfulness parte justamente desse ponto, que é uma conexão entre o corpo e o cérebro, trazendo uma maior sensação de integração entre corpo e mente. É aprendermos a sentir os sinais fisiológicos, principalmente a respiração, que estão em movimento naquele momento. Existem vários estudos neurofisiológicos que demonstram a importância de prestarmos atenção à informação sensorial que vai do corpo para o cérebro e depois para um espaço mais abstrato da mente.

Existem muitas definições para Mindfulness, mas no fundo existem 3 palavras em comum para a maioria destas definições, que são “atenção, intenção e atitude”. O Dr. Jon Kabat-Zinn, médico e diretor fundador da Clínica de Redução do Stress e do Centro de Atenção Plena em Medicina, na Escola Médica da Universidade de Massachusetts, traz a seguinte definição: “É o estado de consciência plena que temos quando prestamos atenção, propositadamente, momento a momento e sem julgamento “.

Um dos pontos fundamentais, assim como na meditação, é o exercício da respiração. Existem 3 aspectos importantes na respiração, que são: (1) Respirar é uma tarefa que não pode ser feita no passado ou no futuro, ou seja, é no agora, naquele momento presente. (2) É uma função automática, que fazemos inconscientemente, mas que pode ser trazida para nossa consciência, quando decidimos prestar atenção nela, acompanhando o trajeto do ar dentro do nosso corpo, inspirando e expirando. (3) A respiração está conosco o tempo todo, involuntária, junto com qualquer outra coisa que realizamos e tem uma função vital.

Não é possível aprofundar mais neste tema num artigo como este, porém o objetivo é chamar a atenção para esta prática que se espalhou pelo mundo e conquistou a atenção das pessoas, principalmente num momento de pandemia como o que vivemos no momento, mas que poderá ajudar as pessoas, mesmo após sairmos desta situação.

No momento em que escrevo este artigo, uma pesquisa no Google sobre Mindfulness indicou cerca de 146 milhões de resultados em 0,64 segundos, ou seja, quem quiser aprender mais sobre esse assunto, material é que não falta.

Mas vale a observação de sempre: tome cuidado na hora de escolher um curso ou um tratamento de Mindfulness, com a mesma atenção que escolheria um terapeuta, um mentor ou um coach: qual é a formação, capacitação e experiência naquilo que estamos buscando. É preciso dedicação, persistência e disciplina para alcançar os resultados que queremos, que no fundo é uma aprendizagem para a vida toda. Cuidado com as promessas de resultados rápidos e milagrosos! Como diz o ditado popular, “O tiro pode sair pela culatra”.

Um abraço, boas reflexões e até o próximo artigo.

Compartilhe
Escrito por
Leia mais de Helio Contador

Hélio Contador: “A Neurociência tem como contribuir para o sucesso de um negócio?”

A busca pelo conhecimento das funções cerebrais ligadas às emoções, pensamentos, comportamentos...
Read More

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *