Helio Contador: “Neuroliderança 4.0”

Conhecer melhor o funcionamento das emoções e gatilhos mentais e comportamentais de tomadas de decisão das pessoas que estão no seu entorno vai tornar o novo líder muito mais poderoso

Muito se fala sobre o perfil dos líderes do futuro ou, mais precisamente, da Liderança 4.0, o novo jargão do mercado. Que características esse novo líder deverá ter para enfrentar o dia a dia conturbado do mercado? É só pesquisar no Google: “Liderança 4.0” que mais de 16 milhões de resultados surgem na nossa tela, trazendo centenas de conceitos e características desejadas para que o líder do futuro consiga sobreviver num mundo cada vez mais caótico, vulnerável e incerto.

E foi justamente esse tema que foi escolhido pelo público de um importante congresso do setor automotivo para uma palestra que realizei há poucos dias falando sobre alguns tópicos de destaque que os conhecimentos da Neurociência podem ajudar no desenvolvimento de líder do futuro, que já começou a enfrentar as ameaças e oportunidades de uma vida influenciada pela internet das coisas, pela inteligência artificial e pelos padrões da indústria 4.0.

Vale lembrar que nosso cérebro não mudou muito desde a era Sapiens, cerca de 300 mil anos atrás, porém os avanços tecnológicos crescem exponencialmente a cada dia que passa, trazendo enormes consequências, boas e ruins, para a nossa vida. A quantidade de informações que o homem pré-histórico recebia durante sua vida inteira, nós recebemos hoje, provavelmente, em alguns segundos de navegação na internet. A velocidade de processamento das informações dentro do nosso cérebro é enorme, porém a pergunta que fica é: o que fazemos com essas informações? Sabemos processá-las e utilizá-las adequadamente?

A resposta é provavelmente não. Basta pegar um dos índices que mais preocupa a humanidade, que é o nível de ansiedade que a população mundial está sofrendo nos dias de hoje, que tem, como uma das causas, o fato de não sabermos lidar com essa quantidade enorme de informações que bombardeiam nosso cérebro a todo instante.

Creio que nessa hora os conhecimentos da Neurociência podem nos ajudar a amenizar um pouco essa situação, quando começamos a entender melhor as trajetórias dos caminhos sinápticos que ocorrem dentro do nosso sistema neural, numa taxa aproximada de 1 milhão de conexões por segundo. Nossas reações comportamentais, por exemplo, são consequências das nossas emoções e lideradas pelos nossos pensamentos. Uma identificação mais acurada dos perfis comportamentais predominantes no ser humano nos ajuda a lidar com as pessoas de acordo com suas preferências e padrões de comportamento, fundamental na hora de se implementar uma gestão de mudanças mais rápida e efetiva ou mesmo na hora de uma negociação, por exemplo.

Conhecer melhor o funcionamento das emoções e gatilhos mentais e comportamentais de tomadas de decisão das pessoas que estão no seu entorno vai tornar o novo líder muito mais poderoso no sentido de se comunicar de forma mais eficiente com seus pares e liderados, atingindo graus maiores de confiança, engajamento e motivação.

Um outro ponto importante é identificar, segundo o perfil comportamental predominante das pessoas da sua equipe, quais são os fatores que deixam essas pessoas mais confortáveis e confiantes quando o assunto é inovação e criatividade. E não estou falando somente em ambientes com uma arquitetura mais agradável, cores vibrantes, lanchinhos e refrigerantes à vontade ou mesas de ping pong, mas sim de um ambiente mental apropriado e motivador.

Os conceitos de liderança que foram desenvolvidos até hoje continuarão tendo um papel importante como competências no relacionamento humano, trazidos pela Neurolinguística, Psicologia Positiva, Inteligência Emocional, Coaching e Mentoria, tais como Líder Coach, Líder Servidor, Líder Assertivo, Líder Empático e tantas outras definições que foram surgindo ao longo do tempo.

Creio, porém, que os avanços das pesquisas científicas em relação ao funcionamento comportamental do cérebro humano serão cada vez mais importantes e fundamentais para o sucesso do líder do futuro, o que chamei de Neuroliderança 4.0. Características como autoconhecimento, agilidade nas decisões, poder de persuasão, confiança e excelência na comunicação não poderão ficar de fora do perfil desse novo líder.

Um abraço e até o próximo artigo.

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COMENTÁRIOS

  • Obrigado pelo excelente artigo. Novamente a confirmação de que o protagonismo humano é imprecindível nesta evolução digital. Nenhuma evolução faz sentido se não for para atender as necessidades das pessoas.

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