Helio Contador: “Já ouviu falar de neurônios intestinais?”

O intestino tem sido considerado nosso segundo cérebro. Isto porque o sistema intestinal possui alta concentração de células nervosas. Saiba mais!

Quem nunca teve uma dor de barriga numa situação de perigo, medo ou tensão? Ou aquele friozinho na barriga antes de um encontro importante ou uma palestra a ser feita? A Copa do Mundo de futebol que nos diga qual foi a sensação que tivemos antes e durante os jogos do Brasil.

Pois é, já não é novidade para a Neurociência que nosso sistema intestinal possui uma alta concentração de células nervosas, em quantidade menor que na estrutura do cérebro, porém ambos produzem substâncias psicoativas que afetam o humor, como os neurotransmissores serotonina e dopamina, além de vários opioides que controlam a dor. Por isso o intestino tem sido considerado nosso segundo cérebro.

Falando em cérebro, neurônios, dores e emoções  – saiba mais sobre isso aqui – , por ocasião do lançamento do livro A Estranha Ordem das Coisas (Companhia das Letras), o neurocientista português António Damásio concedeu uma série de entrevistas falando do seu mais recente lançamento, priorizando os sentimentos como formadores de consciência e como motor da ciência. Esse mesmo autor já havia lançado um outro livro, O Erro de Descartes, no qual ficou famoso, entre outras coisas, por demonstrar como a ausência de emoções pode prejudicar a racionalidade.

Segundo o autor, é comum confundirmos sensações, emoções e sentimentos, como sendo a mesma coisa, porém se tratam de três coisas diferentes.

Sensação: é o sistema que permite detectar a presença de um estímulo e que gera uma resposta; isso as plantas e as bactérias também têm.

Emoção: é algo visível, público. As outras pessoas percebem quando estamos tristes, irritados, enojados ou alegres. Nossas expressões faciais nos entregam!

Sentimento: é uma experiência mental das sensações e emoções que se passam no nosso organismo. É algo interno nosso.

Leia também: ““O cérebro humano e os gatilhos mentais”. 

Nesse novo livro Damásio faz essencialmente um tratado sobre como a homeostase, que regula o equilíbrio e estabilidade interna do corpo, abrange também a mente, a consciência e a própria cultura (incluindo pontos como a religião, moralidade, artes e ciência).

Apesar dos estimados 100 bilhões de neurônios existentes nosso cérebro, nosso sistema intestinal também possui alta concentração de neurônios, o que o fez receber o apelido de nosso segundo cérebro.  “O intestino tem cerca de 500 milhões de células nervosas que operam de forma independente do comando cerebral”, calcula o gastroenterologista Eduardo Antonio André, do Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo. É menos que a massa cinzenta, que tem bilhões delas, mas o suficiente para formar um sistema nervoso próprio, responsável por coordenar tarefas tais como a liberação de substâncias digestivas. Cerca de 90% da produção de serotonina é feita na região intestinal. O curioso é que António Damásio chega a comentar que, na verdade, nosso intestino seria o primeiro cérebro, seguindo uma ordem natural de evolução das coisas!

Daí podermos concluir, cientificamente, a importância de nos alimentarmos bem, com variedade e proporcionalidade entre todos os nutrientes.  Quando temos uma refeição saudável, mastigando bem e sem pressa ou distração, nosso sistema digestivo nos responde com uma sensação de bem-estar, dando-nos um bom suprimento de energia, vitalidade e otimismo!

Um abraço e até o próximo artigo…


Gostou? Leia mais artigos de Helio Contador aqui!

Compartilhe
Escrito por
Leia mais de Helio Contador

Hélio Contador: “A Neurociência tem como contribuir para o sucesso de um negócio?”

A busca pelo conhecimento das funções cerebrais ligadas às emoções, pensamentos, comportamentos...
Read More

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *