Helio Contador: “Prometeu, tem que cumprir”

Compromisso é uma responsabilidade adquirida em virtude de uma afirmação verbal ou escrita, feita por nós mesmos

Vamos falar hoje de mais um gatilho mental importante, que é o Compromisso e Coerência, seguindo a linha dos atalhos mentais citados pelo Prof. Robert Cialdini no livro As Armas da Persuasão e que servem para chamar a atenção das pessoas para aquilo que queremos dizer – leia mais sobre o assunto aqui.

A palavra compromisso deriva de “promessa”, ou seja, “com promessa”. Quer dizer que quando há um compromisso há uma promessa. É uma maneira de se vincular ou assumir uma obrigação com alguém, publicamente ou não, com algum objetivo.

Como seres biopsicossociais, somos treinados desde o nascimento a assumir as promessas que fazemos, para sermos bem vistos nos círculos sociais e nas comunidades e grupos que frequentamos – aqui você pode saber mais sobre reciprocidade. Há diversos tipos de compromissos, como por exemplo: compromisso moral, compromisso religioso, compromisso amoroso, compromissos familiares e compromissos de negócios. Lembra do termo: no fio do bigode? Pois é, tem tudo a ver com o tema que estamos falando nesse artigo.

Compromisso é, portanto, uma responsabilidade adquirida em virtude de uma afirmação verbal ou escrita, feita por nós mesmos.

Quando assumimos um compromisso por escrito e o publicamos, nossa dívida de coerência fica ainda maior e as empresas que se utilizam do Neuromarketing sabem muito bem disso. Vamos lembrar de um exemplo genérico onde você compra um certo produto no supermercado e aparece aquela promoção incrível de concorrer a uma viagem para algum paraíso tropical, aquela viagem que você adoraria, mas não tem o dinheiro para pagar. Então, antigamente você só precisava escrever seus dados na embalagem e enviar pelo correio para o sorteio. Hoje em dia você se inscreve no site da empresa, sem precisar se deslocar até um posto dos Correios. Só tem um detalhe, em ambos os casos, em algum momento da sua inscrição eles pedem para você indicar qual é a marca de sua preferência quando se tratar daquele produto. Pronto, aí você caiu na armadilha do gatilho mental “Compromisso e coerência” e na próxima vez que for ao supermercado fazer suas compras, seu cérebro vai mandar a mensagem, de forma inconsciente, que você já assumiu um compromisso (por escrito) com aquela marca!

Uma dica para reforçar seus compromissos com você mesmo, principalmente aqueles de início de ano novo, e que nunca dão certo: precisamos saber que o nosso cérebro não entende coisas subjetivas mas sim eventos precisos e detalhados, senão ele acaba ignorando o pedido. Querem um exemplo? Uma das promessas mais comuns de ano novo é “quero emagrecer”. Nosso cérebro só vai agir a nosso favor se você definir claramente: o quê, quando e como. No caso do nosso exemplo, você precisa definir qual o peso exato que você quer atingir e em que data específica isso deve acontecer (dia, mês e ano). Depois disso temos que especificar como vamos fazer isso, ou seja, vou agendar uma consulta, na semana que vem, com um nutricionista e montar uma dieta alimentar balanceada para atingir a meta que defini. Além disso, a partir do dia primeiro do próximo mês vou me inscrever numa academia e iniciar os treinamentos 3 vezes por semana. Aí sim seu cérebro vai começar a trabalhar, consciente e inconscientemente, a seu favor e fará de tudo para que sua meta seja cumprida. Se você estiver realmente sério e determinado a atingir esse objetivo, pode até divulga-lo nas redes sociais que seus amigos vão estar te cobrando o tempo todo!

Creio que as áreas da psicologia e psicanálise confirmam e reconhecem que, segundo as crenças e valores da maioria das pessoas, desejamos ser e parecer coerentes com nossos atos e um dos principais motivos é que, uma pessoa que é vista pela sociedade como coerente e que cumpre suas promessas, ela passa a ser reconhecida, respeitada e ganha confiança das pessoas, ou seja, ela tem muito mais facilidade para convencer e persuadir os outros.

Vale lembrar que os gatilhos mentais não são uma garantia absoluta que tudo vai dar certo a seu favor, mas eles aumentam, sim, a probabilidade de as coisas darem certo. Além disso, os diferentes atalhos mentais podem se complementar ou até mesmo se contrapor, dependendo da situação. Mas isso veremos nos artigos seguintes. Ficou com dúvidas? Deixe seu comentário.

Um abraço e até lá…


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