Helio Contador: “Vidas pessoal e profissional: tudo junto e misturado’

Não é tão simples quanto se pensava misturar nosso trabalho com as atividades pessoais e domésticas, coisa que parecia muito agradável nos primeiros dias de isolamento social

O que antes era bem separado, agora ficou junto e misturado. Havia uma separação, mesmo que fictícia, entre nossas vidas pessoal e profissional e fingíamos que elas não se misturavam. Só que a pandemia acabou de vez com essa falácia e tudo se misturou, confirmando que somos um ser único, um ser integral que se preocupa não só com o trabalho, mas também com a saúde física e mental, com a família, amigos e a integridade espiritual.

Só que isso tem vantagens e desvantagens que precisamos reconhecer e aprender a lidar com elas. No meu entender, uma das vantagens é: não precisamos mais mascarar nossas vulnerabilidades e incertezas, que antes ficavam escondidas, para não demonstrar que tínhamos essas “fraquezas” que não pegavam bem no mundo corporativo.  A pandemia mostrou que um simples vírus pode mudar radicalmente nossas vidas do dia para a noite, sem pedir nossa permissão.

As desvantagens são que não é tão simples quanto se pensava misturar nosso trabalho com as atividades pessoais e domésticas, coisa que parecia muito agradável nos primeiros dias de isolamento social, com os cantores de varanda, grupos de ajuda aos vizinhos nas compras, aulas de yoga e meditação online, milhares de webinários grátis, etc. Só que o tempo foi passando, os boletos continuando a chegar, o dinheiro acabando e a graça de ficar em casa também. Os filhos sem espaço para brincar, escolas fechadas e aulas online estressantes. Bares, restaurantes e shoppings sem previsão de abertura e as neuras aumentando.

As atividades, que antes pareciam estar num ritmo estressante e alucinante, agora parece que estão dando saudades. Mas precisamos nos acostumar com as novidades que vieram para ficar, em muitos casos alterando nossas rotinas por completo. Surgiram vários profetas tentando adivinhar com será o “novo normal”, mas na verdade ninguém sabe como nossas vidas serão impactadas de verdade, e esse é o grande desafio que temos pela frente.

Uma coisa considero certa: no campo profissional os relacionamentos serão diferentes e mais humanizados, onde as fronteiras das vidas pessoal e profissional se fundiram definitivamente. Os líderes e gestores precisarão se preocupar mais com a saúde física e mental de seus funcionários. Nas palestras que tenho feito, faço sempre essa pergunta: que tipo de líder precisamos hoje?

Em pesquisa recente, 100% dos líderes entrevistados estão se sentindo ansiosos, com medo e angustiados com os desafios que temos nessa retomada de atividades pós pandemia, recheada ainda de incertezas com relação à manutenção dos empregos, politização da crise, riscos de pegar o Covid-19, mesclar o trabalho em casa com o presencial na empresa ou então quando teremos uma vacina eficiente à disposição da população. São muitas as perguntas, mas poucas e confusas as respostas.

O líder percebeu que é um simples mortal e precisa assumir suas fragilidades; não ter medo de dizer que não tem todas as respostas, mas precisa se manter próximo de sua equipe, usando a criatividade, coragem e passando a tranquilidade de que fará o que tiver que ser feito. Enfim, teremos a predominância de estilos de liderança positivos e compassivos, assegurando que as dores pessoais da equipe podem ser divididas com os colegas e com isso se aumenta o foco e atenção no trabalho, através da diminuição de energia gasta em se esconder os sentimentos e necessidades pessoais, como se fingia antes dizendo que está “tudo bem”. Ou seja, mais união e espírito de colaboração nos times.

O uso da inteligência emocional e a busca de um propósito verdadeiro de vida serão mais essenciais do que nunca daqui para frente. Aprender a focar no aqui e agora, desenvolver a habilidade de se conhecer e escutar sua voz interior farão parte integrante de um ser integral que se preocupa com a integração e harmonia entre corpo-mente-espírito.

Um abraço, boas reflexões e até o próximo artigo.

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