Juliana de Lacerda Camargo: “A arte do desapego”

É muito natural nos apegarmos ao que fazemos e de certa forma até nos viciarmos em nossas ideias e conceitos. Esse apego é emocional e neurológico

Conversei há alguns dias com um cliente e fiquei muito entusiasmada. Ele tem um super projeto de liderança e a ideia é participar com nossas soluções. Enquanto ele apresentava o que já havia pensado, eu ia “matutando” alternativas e possibilidades dentro do que conheço e faço, o que depois trouxe pra ser avaliado. A expressão que vi na minha frente foi muito bacana: um misto de interesse, empolgação, mas também um tremendo desconforto com toda novidade que eu trazia para algo que ele já havia pensado tanto, trabalhado tanto, dedicado tanto esforço.

“Vamos fazer o seguinte?” – eu disse – “Eu sei que você já tinha fechado a ideia toda e se dedicou muito a ela. Dá um tempo pra processar tudo que falei e trouxe de novo e vê o que faz sentido. É natural esse desconforto que está sentindo agora”. Com minha resposta a expressão dele mudou instantaneamente. Ele sorriu, relaxou e em dois segundos já começou a se abrir para as alternativas. “Já estou borbulhando” – foi sua próxima resposta.

Pois é! Assim como nessa situação, quem nunca se sentiu extremamente incomodado quando alguém questionou ou trouxe coisas novas para um projeto ao qual houve grande dedicação, com dispêndio de energia, tempo e por aí vai? É muito natural nos apegarmos ao que fazemos e de certa forma até nos viciarmos em nossas ideias e conceitos – e esse apego é emocional e neurológico. Criamos caminhos tão consolidados no cérebro que dá exaustão só de pensar em ter que recomeçar ou reinventar o que já fizemos. Por vezes isso nos traz desânimo, outras incômodo com a pessoa que trouxe os questionamentos e outras ainda o próprio “engessamento” do crescimento e desenvolvimento pessoal. Isso é assim comigo, com meu cliente e muito provavelmente com você.

Mas qual a importância de saber disso? É aprender a lidar exatamente da forma que meu cliente fez: a partir do momento que ele entendeu que o desconforto era natural, saiu do estágio de rejeição e possível engessamento para se abrir a novas possibilidades e, quem sabe, incrementar ainda mais o projeto que era tão importante para si. Ou seja, ao saber que nos apegamos e ao lidar com isso com naturalidade, damos o tempo necessário para deixar a “poeira do incômodo baixar” e olhar mais objetivamente para a questão, nos preparando emocional e mentalmente para continuar avançando para nosso aprendizado e crescimento, além da melhoria do próprio trabalho.

Você quer continuar sempre aprendendo e crescendo? Por mais que, às vezes, eu queira “matar” quem me questiona, eu definitivamente quero! Então, da próxima vez que alguém questionar ou sugerir algo em um projeto importante pra você, lembre-se que o desconforto é natural e passageiro. Dê o tempo que precisa pra digerir seu mal-estar e se abra pra desapegar do projeto original e continuar avançando para o sucesso.

É isso aí!

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