Lugar de mulher é no canteiro de obras

A VERO lançou uma nova seção para homenagear a trajetória profissional das mulheres. A arquiteta argentina Graciela Piñero foi a primeira entrevistada. Confira

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Foto: Zé Gabriel

Natural da Argentina, Graciela Piñero formou-se em arquitetura na Universidad de La Plata, localizada na cidade que leva o mesmo nome, e foi uma das primeiras pessoas da família a concluir uma graduação. Veio para o Brasil
quando tinha 25 anos. Sem pretensão nenhuma, mas cheia de coragem, logo conseguiu emprego na construtora
de Yojiro Takaoka, na equipe de Reinaldo Pestana, um dos arquitetos que projetaram Alphaville. Detalhe: ela era uma das poucas mulheres no time.

O encontro foi por acaso. “Vim procurando um loteamento e acabei esbarrando nele, o Takaoka. Ele achou que eu
estava buscando um trabalho e me deu um cartão. Não hesitei, fui em frente.” Foram aproximadamente cinco anos trabalhando na construtora. Em 1985 a arquiteta decidiu abrir o próprio escritório em Alphaville e começou a construir a casa em que mora até hoje no bairro.

Em 1992 participou pela primeira vez da CasaCor, mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo, e desde então já coleciona mais de 15 participações. “Sempre fui um corpo estranho na área de construção. As construtoras são impérios machistas. Mas não tive medo. Essa é minha maior conquista.” Com 65 anos e dona de uma vida profissional sólida, Graciela completou 40 anos de carreira neste ano, é casada e mãe de dois filhos: “Me sinto muito realizada em tudo, mas não vou parar nunca. Adoro o que eu faço”.

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