Marcio Rachkorsky: “Não é mera coincidência”

No BBB (a última edição acabou em maio), há uma espécie de jogo da discórdia, uma “lavação de roupa suja” entre os participantes – e foi apelidado
de “reunião de condomínio”

Há quem diga que a vida imita a arte  ou será a arte que imita a vida? Em obras de ficção, já nos acostumamos a ler que “qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”. Aqui, não trataremos de arte, mas sim do programa BBB (Big Brother Brasil), que teve a 21ª edição encerrada em maio. Na atração, o apresentador Tiago Leifert, com maestria, conduzia semanalmente uma espécie de jogo da discórdia, uma “lavação de roupa suja” entre os participantes, com dinâmicas em grupo para fomentar o que chama de “fogo na parquinho”.

De forma absolutamente natural, o genial apresentador apelidou a tal dinâmica em grupo de REUNIÃO DE CONDOMÍNIO. Como num passe de mágica, começava as  ofensas, intrigas, covardias, conluios e também muitos debates importantes e relevantes. Ora, uma  verdadeira reunião de condomínio!

É incrível, mas a arte imitou a vida e não foi mera coincidência. Reunião de condomínio, como já é sabido por todos, costuma ser um ambiente hostil, com acirramento de ânimos, verdadeira fogueira das vaidades, com egos exacerbados, ânimos alterados, uma espécie de licença momentânea para ataques, difamações, ilações e agressões. Paradoxal tudo isso, pois deveria ser um momento de debates saudáveis, união de esforços, cooperação…

Não posso generalizar, pois ainda há muitos condomínios onde reina a paz e a civilidade. Em todos os anos, no BBB, um “condômino” é eliminado por semana, e a convivência forçada dura no máximo cem dias. Nos prédios, após o “fogo no salão de festas”, os participantes subirão juntos nos elevadores, seus filhos e netos brincarão e crescerão juntos e o convívio será por uma vida inteira…

No BBB, as reuniões  sempre são lotadas, pois a participação é obrigatória. Nos condomínios da vida real, muitos moradores têm tanto trauma das baixarias, que as reuniões e assembleias estão cada vez mais vazias. Com a pandemia, as reuniões passaram para o ambiente virtual e já temos alguns resultados importantes: reuniões mais cheias, debates mais civilizados e ordeiros e o surgimento dos leões de teclado, que escrevem verdadeiros tratados ou fazem discursos que não teriam coragem de fazer pessoalmente, torrando a paciência dos demais vizinhos.

As reuniões e assembleias são necessárias, essenciais e obrigatórias e o grande desafio é que aconteçam de forma organizada, produtiva, com respeito e cordialidade entre os vizinhos. Sinceramente, trabalhando há quase trinta anos com condomínios, ainda não consegui desvendar o fenômeno que acomete momentaneamente alguns condôminos e creio ser um desafio para uma bela tese acerca da natureza humana e seu comportamento em grupo. Deixo aqui os desafios para os psicólogos.

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